A Amazon está implementando uma estratégia agressiva e inspirada no modelo da Walmart para conquistar uma fatia maior do lucrativo mercado de supermercados nos Estados Unidos. Documentos internos obtidos pelo *Business Insider* revelam planos para "Supercenters" gigantes, uma nova camada de distribuição e centros de microfulfillment dentro das lojas Whole Foods.
A mudança reflete um aprendizado caro para a empresa: o domÃnio do e-commerce não se traduz automaticamente em sucesso na venda de mantimentos, especialmente itens perecÃveis que impulsionam compras frequentes. A densa rede de lojas e centros de distribuição da Walmart, projetada para mover bens de consumo rápido de forma barata e eficiente, mostrou-se difÃcil de replicar.
Megastores e a "inveja da Walmart"
Quase uma década após adquirir a Whole Foods por US$ 13,7 bilhões, a Amazon ainda está atrás da Walmart nas compras de supermercado do dia a dia. Para competir de frente com o modelo de Supercenter da concorrente, a empresa planeja inaugurar perto de Chicago uma megastore de aproximadamente 225.000 pés quadrados – maior que um Supercenter tÃpico da Walmart.
Michael Levin e Josh Lowitz, fundadores da Consumer Intelligence Research Partners, classificaram a movimentação como "alucinante" e disseram que "revela um grau de inveja da Walmart que não esperávamos". A inveja é compreensÃvel: com cerca de 90% da população dos EUA vivendo a menos de 16 km de uma loja Walmart, suas mais de 5.000 localidades dão uma vantagem poderosa na venda de alimentos frescos.
Dados da Numerator mostram que a Walmart detinha cerca de 21% do mercado de supermercados dos EUA em setembro, enquanto Amazon e Whole Foods tinham, cada uma, aproximadamente 1,6%.
Nova rede para entregas ultrarrápidas
Um pilar central do novo esforço é um tipo de armazém para entrega no mesmo dia, chamado internamente de "SSD Supercenter". Diferente dos depósitos SSD tradicionais, menores, essas instalações são projetadas para serem maiores e fechar a lacuna de variedade de produtos, especificamente com a "Walmart" em mantimentos.
Documentos de planejamento mostram que a Amazon pretendia lançar pelo menos cinco desses sites no ano passado, testando se os clientes mudariam seus hábitos de compra. A meta era ter mais de 95% dos itens em estoque. No entanto, o serviço de entrega de mantimentos em menos de um dia ainda é uma parte mÃnima do negócio: apenas 1,6 milhão de clientes elegÃveis (cerca de 5%) usaram o serviço até o final de setembro.
A empresa também está desenvolvendo uma nova camada de distribuição a montante, chamada "1DC". Essas instalações armazenam os produtos mais comprados e reabastecem os centros de fulfillment conforme a demanda surge, mudando de um sistema de "empurrar" estoque para um de "puxar". A Amazon planejava operar uma dúzia desses centros até o final de 2025, capazes de mover pelo menos 20 milhões de unidades por semana.
Whole Foods como infraestrutura logÃstica
Talvez o sinal mais claro da mudança da Amazon seja o novo papel da Whole Foods. A rede, antes posicionada como um supermercado premium, está sendo cada vez mais tratada como infraestrutura logÃstica. A Amazon começou a instalar centros de microfulfillment nos fundos de lojas selecionadas, transformando-as em hubs locais para pedidos online.
Uma loja reformada na Filadélfia, por exemplo, agora atende pedidos da Amazon a partir dos fundos do estabelecimento. A Amazon espera que esta loja sirva cerca de 100.000 unidades de e-commerce por semana e projeta que a adoção de pedidos online cresça para 10% até o final de 2026. Esta abordagem espelha a estratégia da Walmart de usar suas lojas para atender pedidos online, rede pela qual a empresa afirma poder oferecer entrega no mesmo dia para 93% dos lares americanos.
O desafio dos perecÃveis
O sucesso da nova abordagem da Amazon depende de resolver um dos problemas mais difÃceis da logÃstica: os produtos perecÃveis. Planos internos mostram a empresa visando expandir sua capacidade de distribuição de perecÃveis de 2,6 bilhões de unidades em 2025 para 3,3 bilhões de unidades até o final de 2026.
O aumento viria de novos centros de distribuição e padrões operacionais mais rigorosos. A meta, conforme um documento, é disponibilizar perecÃveis para "100% dos clientes Prime" o mais rápido possÃvel, um objetivo central para a estratégia de entrega no mesmo dia e suas ambições mais amplas no setor de supermercados.