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A Amazon confirmou nesta terça-feira uma nova rodada significativa de demissões, sequência dos cortes em massa realizados no outono passado. As reduções de pessoal, que totalizam 16.000 postos eliminados desde o início do processo, atingem múltiplas áreas, incluindo setores centrais como o AWS (serviço de nuvem de IA e data warehouse) e o negócio de varejo da empresa.

Comunicados internos obtidos pela reportagem revelam que a reestruturação está intimamente ligada a uma mudança estratégica para a era da inteligência artificial. Lideranças da companhia têm enfatizado a necessidade de os funcionários "dobrarem a aposta em uma cultura de propriedade" e usarem a tecnologia para simplificar o trabalho.

Ninguém está a salvo: cortes se espalham por diversas áreas

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Mensagens internas no Slack mostram que os cortes foram amplos, afetando uma variedade de equipes. Um funcionário chegou a utilizar uma ferramenta de IA para tentar identificar quais funções estariam na linha de corte, gerando uma lista extensa – embora potencialmente imprecisa por ser gerada por inteligência artificial.

Engenheiros de software foram particularmente impactados, seguindo uma tendência observada recentemente em todo o setor de tecnologia. A empresa tem coordenado suas comunicações pós-demissão, com memos de executivos como Prasad Kalyanaraman, vice-presidente de Infraestrutura do AWS, e Colleen Aubrey, vice-presidente sênior de Soluções de IA Aplicada, reforçando o foco em "propriedade".

IA como aliada, não apenas como ameaça

Apesar de a automação ser frequentemente apontada como causa de redução de postos, um memorando do vice-presidente do AWS, Greg Pearson, visto pela reportagem, incentiva os trabalhadores a "continuarem encontrando maneiras de usar a tecnologia para simplificar nosso trabalho". A visão reflete um sentimento crescente entre executivos: "A IA não vai tomar seu emprego, mas a pessoa disposta a usá-la, vai".

A mudança na Amazon é vista como um indicativo do caminho que outras grandes corporações podem seguir, dado o papel de liderança do setor de Big Tech na adoção e investimento em novas tecnologias.

Foco na execução e guerra contra a burocracia

Os cortes, somados à guerra declarada pelo CEO Andy Jassy contra a burocracia, sinalizam um desejo da empresa de ter mais pessoas "com as mangas arregaçadas" e focadas na execução direta. A filosofia ecoa conselhos de líderes do setor, como Jeetu Patel, presidente e diretor de produtos da Cisco, que recentemente destacou a importância de focar na mudança que se quer realizar, e não em um título de cargo.

"Se, na busca por essa mudança, você tiver que sair e relutantemente gerenciar algumas pessoas, então vá em frente e faça isso", disse Patel. "Mas a gestão, por si só, não é um trabalho em tempo integral."

A reestruturação da Amazon e suas novas diretrizes de performance sugerem que, na nova configuração, quanto mais distante um funcionário estiver do trabalho real de execução, maior será seu risco dentro da organização.