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Noe Parenteau, 80 anos, trabalha como analista de automação de operações e planejava se aposentar, mas os custos com os cuidados de sua irmã e de sua ex-mulher, ambas diagnosticadas com demência, o fizeram adiar os planos. Parenteau vive fora de Fort Myers, na Flórida, e estima que as despesas mensais com as duas podem chegar a US$ 14 mil.

“Estou bem financeiramente, mas não sei se algum dia me aposentarei”, disse Parenteau em entrevista ao Business Insider. Ele já tentou se aposentar uma vez, mas sentiu que ficava “apenas sentado, sem fazer nada, além de trabalho voluntário”. Seu emprego atual permite horas extras, o que ajuda a reservar dinheiro para os cuidados geriátricos necessários.

Os custos da demência e a rede familiar

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A irmã de Parenteau está em uma unidade de cuidados com memória em tempo integral, com custo mensal de aproximadamente US$ 7 mil. Já sua ex-mulher, com quem foi casado por 17 anos, está em uma instituição de vida assistida, com despesas de cerca de US$ 5 mil por mês. Se for necessário transferi-la para um local com mais suporte, o valor pode subir para entre US$ 6 mil e US$ 7 mil.

“Estamos tentando mantê-la em uma instalação de vida assistida pelo maior tempo possível”, explicou Parenteau. A família teme que uma mudança para cuidados com memória, além de ser mais cara, imponha mais restrições de visitas.

Parenteau conta com uma rede de apoio familiar. Suas quatro filhas, que mantiveram a família unida após o divórcio, são ativas no cuidado da mãe, gerenciando suas finanças e interações com médicos. Uma das filhas de sua irmã também está muito próxima e a acompanha regularmente.

Desafios logísticos e apoio financeiro

A distância geográfica é outro obstáculo. Parenteau mora na Flórida, enquanto sua irmã e ex-mulher estão no Wisconsin, e suas filhas vivem em Minnesota, Chicago e Milwaukee. Uma tentativa de se mudar para Wisconsin há seis meses foi reconsiderada devido à perspectiva de perda de poder aquisitivo por causa de impostos mais altos e da falta de um carro.

“Cheguei à conclusão de que a melhor maneira de ajudar agora é através do apoio financeiro”, afirmou. Ele se comprometeu a arcar com cerca de US$ 2 mil mensais para os cuidados de sua irmã, além de buscar mais recursos do Medicare (programa de saúde americano para idosos) para ela.

Parenteau também recebe pensões de empresas onde trabalhou anteriormente e o Seguro Social. No entanto, ele projeta que suas economias para a aposentadoria serão gradualmente consumidas. “Suspeito que o dinheiro que reservei para a aposentadoria será diminuído com o tempo”, disse.

Histórico familiar e preocupações futuras

Esta é a segunda irmã de Parenteau a desenvolver demência. A primeira faleceu há cerca de três anos após passar por vida assistida e depois cuidados com memória. Ele descreve os sintomas como “difíceis de lidar, a menos que você já tenha passado por eles e esteja preparado”.

Com a ex-mulher, cuja família tem histórico de longevidade, chegando aos 90 anos, Parenteau se prepara para um cenário de cuidados que pode durar de cinco a dez anos. Seu maior temor é que a situação financeira se repita com suas filhas. “Continuo trabalhando caso elas precisem de assistência se suas economias se esgotarem”, declarou.

O papel dos netos e uma vida frugal

Os netos são uma fonte de alegria para Parenteau, que tenta vê-los no Natal e viajar no verão para participar de suas rotinas. “Quero que eles me vejam como parte de suas vidas diárias também”, afirmou. Ele aproveita essas ocasiões para conversar sobre como, em sua geração, os idosos costumavam viver em casa, e não em instituições.

Vivendo sozinho e de forma frugal, Parenteau foca em preservar seus investimentos e economias para emergências ou ocasiões especiais da família, como formatura ou problemas de saúde. “Suspeito que um dia estarei na mesma situação que minha irmã e ex-mulher”, concluiu, sugerindo que, no futuro, pode depender do acolhimento de suas filhas.