As 11 últimas ararinhas-azuis que viviam livres na natureza, em Curaçá (BA), testaram positivo para circovírus, vírus que causa doença fatal em psitacídeos. O diagnóstico foi confirmado pelo Ministério do Meio Ambiente após exames realizados nas aves recapturadas em novembro.
As aves haviam sido soltas na natureza em 2022 como parte do Programa de Reintrodução da espécie, coordenado pelo ICMBio. Atualmente, investigações buscam identificar a origem da contaminação que afeta as últimas representantes da espécie em liberdade.
Fiscalização aponta falhas graves
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) instaurou um Sistema de Comando de Incidentes após confirmar o primeiro caso de circovírus em maio deste ano. Vistorias técnicas realizadas com Inema e Polícia Federal constataram que o Criadouro para Fins Científicos do Programa não cumpria protocolos de biossegurança.
Entre as irregularidades encontradas estavam comedouros com acúmulo de fezes ressecadas e funcionários manejando animais usando chinelos, bermuda e camiseta, sem equipamentos de proteção individual adequados.
Multas milionárias e parceria rompida
O criadouro, anteriormente conhecido como Blue Sky, foi multado em R$ 1,8 milhão pelo ICMBio e em R$ 300 mil pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema). A unidade mantinha parceria com a organização alemã ACTP, que concentra 75% das ararinhas registradas mundialmente.
Em 2024, o ICMBio encerrou o Acordo de Cooperação Técnica com a ACTP devido ao descumprimento de compromissos pactuados, incluindo a transferência não autorizada de 26 ararinhas-azuis para a Índia.
Doença sem cura ameaça espécie
O circovírus dos psitacídeos, originário da Austrália, é o principal causador da doença do bico e das penas, que não tem cura e leva à morte na maioria dos casos. Entre os sintomas estão alterações na coloração das penas, falhas no empenamento e deformidades no bico.
Cláudia Sacramento, coordenadora do ICMBio, afirmou: "Se as medidas de biossegurança tivessem sido atendidas com rigor, talvez não tivéssemos saído de um animal positivo para 11 indivíduos contaminados".
Próximos passos para conservação
A próxima etapa do trabalho envolve a separação segura entre aves que testaram positivo e negativo para o vírus, além do reforço das medidas de biossegurança. O ICMBio mantém como objetivo principal a reintrodução da espécie em seu habitat natural na Caatinga.
As ações de conservação podem continuar, desde que sigam os planos e programas oficiais coordenados pelo instituto. O Portal iG não conseguiu localizar o representante do criadouro para comentar o caso.