O ritmo de avanço das forças russas na Ucrânia nos últimos dois anos está entre os mais lentos registrados em guerras modernas, segundo uma nova análise do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS). A avaliação, publicada na terça-feira pelos pesquisadores Seth G. Jones e Riley McCabe, examinou os três principais eixos ofensivos de Moscou após a captura de Avdiivka, em fevereiro de 2024.
Os dados contestam declarações recentes de lÃderes russos, incluindo o presidente Vladimir Putin, sobre um suposto "momento significativo" no campo de batalha. As direções para Kupiansk, Pokrovsk e Chasiv Yar têm sido palco dos combates mais intensos do conflito.
Ritmo inferior a ofensivas históricas
De acordo com o estudo, as tropas russas avançaram a uma média de entre 15 e 70 metros por dia em suas ofensivas mais proeminentes. "Mais lento do que quase qualquer grande campanha ofensiva em qualquer guerra no último século", escreveram os pesquisadores.
O cálculo foi feito com base na distância em linha reta pela qual o território de batalha mudou, método que não contabiliza a área total conquistada. Mesmo em Pokrovsk, onde o avanço foi mais rápido, as tropas do Kremlin tomaram cerca de 70 metros de território por dia, totalizando 50 quilômetros (cerca de 31 milhas) em dois anos.
Comparação com conflitos do passado
Os três eixos russos foram mais lentos do que a brutal ofensiva de cinco meses de britânicos e franceses na Batalha do Somme, na Primeira Guerra Mundial, que conquistou em média 80 metros por dia de território alemão.
Jones e McCabe destacaram outros avanços históricos: a ofensiva soviética na frente de Leningrado, em 1943, progrediu a 1.000 metros por dia; a Batalha de Belleau Wood, em 1918, viu forças dos EUA avançarem 410 metros por dia. Em contraste, a contraofensiva ucraniana em Kharkiv, em 2022, tomou 7.400 metros por dia.
Natureza da guerra e novos desafios
Parte da lentidão se deve à natureza do conflito, que favorece fortemente o defensor, especialmente com a introdução massiva de drones de primeira pessoa (FPV). "A linha de frente oriental, por exemplo, continua saturada com drones. Como resultado, o movimento de veÃculos é difÃcil dentro de 15 quilômetros da linha de frente", explicaram os analistas.
No entanto, Kiev ainda enfrenta desafios severos, incluindo altas taxas de evasão ao alistamento e deserção, diminuição do apoio militar dos EUA e a inovação russa com drones de ataque para bombardear a infraestrutura energética ucraniana no inverno.
Ganhos limitados e alto custo humano
No geral, a Rússia conquistou cerca de 75.000 quilômetros quadrados (28.900 milhas quadradas) da Ucrânia desde o inÃcio da invasão em larga escala em 2022. "Esses ganhos e o progresso geral da Rússia no campo de batalha, especialmente nos últimos dois anos, ficam decididamente aquém do objetivo de Moscou de conquistar militarmente a Ucrânia", concluÃram os pesquisadores.
O custo humano para sustentar o assalto é alto. As baixas russas (mortos e feridos) superaram as da Ucrânia em uma proporção de 2:1 ou até 2,5:1. "Houve cerca de 415.000 baixas russas apenas em 2025, com uma média de quase 35.000 baixas por mês", afirmaram Jones e McCabe, citando dados do CSIS, do ministério da Defesa do Reino Unido e de outras fontes.
Os analistas observaram que uma ofensiva russa mais recente em direção à cidade de Huliaipole, na região de Zaporizhzhia, tem sido mais bem-sucedida, com uma taxa média de avanço de 297 metros por dia desde novembro de 2025.