Uma espécie de barata gigante, nativa da Austrália, está se revelando um predador inesperado de pequenos vertebrados, incluindo sapos, patos e cobras. O comportamento foi documentado por pesquisadores da Universidade de Sydney, que observaram o inseto de 5 centímetros atacando e consumindo animais vivos em seu habitat natural.
A barata-da-terra gigante (*Macropanesthia rhinoceros*), conhecida por sua dieta tradicional de folhas secas, está demonstrando um comportamento carnívoro oportunista. Os cientistas registraram múltiplos casos em que o inseto, que não possui asas, atacou vertebrados que invadiram seu território ou que estavam em estado vulnerável.
Dieta surpreendente e método de ataque
O estudo, publicado na revista especializada "Entomologia Australiana", detalha observações feitas ao longo de dois anos. A barata de 5 cm foi vista consumindo filhotes de pato-mandarim, sapos-arborícolas verdes e até uma pequena cobra da espécie *Dendrelaphis punctulatus*. "É uma mudança completa na compreensão do nicho ecológico desta espécie", afirmou o entomologista Dr. Liam Crowley, líder da pesquisa.
O método de ataque envolve uma mordida poderosa com suas mandíbulas, capazes de perfurar a pele de pequenos vertebrados. A barata então injeta enzimas digestivas para liquefazer os tecidos internos da presa antes de sugá-los. "Ela age como uma aranha, paralisando e pré-digerindo a vítima", explicou Crowley.
Contexto ecológico e implicações
A espécie é endêmica das florestas tropicais de Queensland, no nordeste da Austrália. Tradicionalmente classificada como detritívora – alimentando-se de matéria vegetal em decomposição –, a descoberta redefine seu papel no ecossistema. Os pesquisadores acreditam que o comportamento predatório pode ser uma resposta adaptativa a mudanças ambientais ou à escassez sazonal de seu alimento primário.
Esta não é a primeira vez que baratas demonstram comportamento carnívoro, mas é o primeiro registro documentado de uma espécie nativa da Austrália caçando vertebrados de forma ativa. O estudo levanta questões sobre o impacto desses insetos nas populações de anfíbios e pequenos répteis da região, muitos dos quais já estão ameaçados.
Os próximos passos da pesquisa incluem monitorar a frequência deste comportamento e avaliar se ele é comum ou um traço observado apenas em populações específicas. A equipe também planeja estudar a bioquímica da saliva da barata, que pode conter toxinas ou enzimas únicas. O Departamento de Meio Ambiente de Queensland foi notificado sobre as descobertas para possíveis revisões nos planos de conservação da fauna local.