Calmante mais vendido do Brasil pode causar dependência em idosos, alertam especialistas
Medicamento amplamente utilizado por pessoas acima de 60 anos exige cuidados devido ao risco de síndrome de abstinência e efeitos colaterais graves.
O medicamento calmante mais vendido no Brasil, amplamente utilizado por idosos, pode levar à dependência química e a graves efeitos colaterais, segundo alerta de especialistas em saúde. A substância, que age no sistema nervoso central, é frequentemente prescrita para tratar ansiedade e distúrbios do sono, mas seu uso prolongado e sem acompanhamento médico adequado representa um risco significativo para a população acima de 60 anos.
O principal perigo está no desenvolvimento de tolerância, onde o paciente precisa de doses cada vez maiores para obter o mesmo efeito, e na síndrome de abstinência, que pode ocorrer com a interrupção abrupta do tratamento. Sintomas como ansiedade intensa, insônia rebote, tremores e, em casos mais graves, convulsões, podem surgir.
Riscos específicos para a terceira idade
Para os idosos, os riscos são amplificados devido às alterações fisiológicas próprias do envelhecimento. O metabolismo mais lento do fígado e dos rins faz com que o medicamento permaneça por mais tempo no organismo, aumentando a probabilidade de acúmulo, overdose acidental e efeitos adversos. Tonturas, sonolência excessiva, confusão mental e quedas são complicações frequentes, que podem levar a fraturas e hospitalizações.
"A automedicação e a continuidade do tratamento por anos, muitas vezes sem reavaliação médica, são os cenários mais preocupantes", explica um geriatra. "Muitos pacientes começam a usar o remédio em uma fase aguda de estresse ou luto e continuam tomando indefinidamente, sem perceber que se tornaram dependentes."
Alternativas e a importância do acompanhamento
Especialistas reforçam que o tratamento para ansiedade e insônia na terceira idade deve ser multimodal. Terapias não farmacológicas, como psicoterapia, prática de exercícios físicos adaptados e técnicas de relaxamento, são consideradas a primeira linha de intervenção e podem reduzir ou até eliminar a necessidade de medicamentos.
Quando o uso do calmante é realmente necessário, a recomendação é que a prescrição seja feita na menor dose eficaz e pelo menor tempo possível, com reavaliações periódicas. A descontinuação, quando indicada, deve ser sempre gradual e supervisionada por um médico, para minimizar os sintomas de abstinência.
As agências reguladoras de saúde já incluem advertências sobre o potencial de dependência nas bulas desses medicamentos. A orientação para profissionais e pacientes é clara: esses fármacos são ferramentas valiosas quando usadas com critério, mas seu uso requer vigilância constante, especialmente na população idosa, que é mais vulnerável aos seus efeitos.
Deixe seu Comentário
0 Comentários