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A Capital One, um dos maiores bancos dos Estados Unidos, confirmou nesta quinta-feira a aquisição da fintech Brex por US$ 5,15 bilhões em dinheiro e ações. O valor representa menos da metade da última avaliação de mercado da Brex, que era de US$ 12,3 bilhões após uma rodada de financiamento em 2022. O acordo deve ser concluído no segundo trimestre.

Apesar do "corte de cabelo" na avaliação final, o negócio é um triunfo para os primeiros apoiadores da empresa. Fundos de venture capital como a Ribbit Capital, que liderou a Série A de US$ 7 milhões em 2017, veem um retorno estimado em cerca de 700 vezes o investimento inicial, mesmo considerando a diluição em rodadas posteriores.

Contexto de um rival em ascensão

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O contraste com a trajetória da principal concorrente, a Ramp, torna o desfecho mais amargo para os investidores que entraram em estágios mais avançados da Brex. Enquanto a Brex perdia impulso, a Ramp elevou sua avaliação de US$ 13 bilhões para US$ 32 bilhões entre março e novembro do ano passado, além de anunciar ter superado US$ 1 bilhão em receita anual recorrente.

Outro competidor, a Mercury, também viu sua avaliação dobrar para US$ 3,5 bilhões em março de 2024. "A estratégia talvez seja o que posicionou a Brex para esta saída", analisa o texto de referência, ao destacar que a empresa optou por focar em clientes corporativos de alto valor, abandonando milhares de pequenas e médias empresas em 2022 para buscar maior rentabilidade.

Vantagens estratégicas para o Capital One

Para o Capital One, a aquisição chega em um momento estratégico. Apenas cinco meses atrás, a Brex obteve uma licença para operar diretamente em todos os 30 países da União Europeia, superando uma limitação anterior que restringia seus serviços a empresas com presença nos EUA. Com isso, o banco adquire não apenas a plataforma tecnológica e a carteira de clientes da Brex – que inclui nomes como TikTok, Robinhood e Intel –, mas também um acesso imediato ao mercado corporativo europeu.

Além disso, a Brex administra cerca de US$ 13 bilhões em depósitos em bancos parceiros e fundos do mercado monetário, um ativo que deve ter tornado o negócio ainda mais atraente para o Capital One, que já havia adquirido a Discover Financial por US$ 35 bilhões em maio de 2024.

A trajetória dos fundadores

A Brex foi fundada em 2017 pelos empreendedores brasileiros Pedro Franceschi e Henrique Dubugras, que abandonaram a Universidade Stanford para participar do programa de aceleração da Y Combinator. A dupla já tinha histórico no setor de pagamentos: venderam uma startup de processamento de pagamentos no Brasil por mais de US$ 1 bilhão quando tinham apenas 16 anos.

Dubugras afastou-se das operações diárias em 2024 para assumir a presidência do conselho. Franceschi permanecerá como CEO da Brex após a aquisição pela Capital One.

Passos em falso no caminho

A jornada da startup não foi livre de controvérsias. Em 2019, os então co-CEOs, com 23 anos e sem experiência no ramo, compraram o renomado South Park Cafe em São Francisco, um plano que foi frustrado pela pandemia de Covid-19. Em 2022, a decisão de encerrar contas de milhares de pequenas empresas para focar em clientes corporativos gerou má vontade considerável no ecossistema que a empresa antes servia.

Para investidores de estágio tardio, como TCV, GIC, Baillie Gifford e Madrone Capital Partners – que entraram na Brex com avaliações de US$ 7,4 bilhões ou mais –, o desfecho pode não ser o esperado, mas ainda representa liquidez em um mercado desafiador. A Capital One afirmou que a aquisição deve ser finalizada no segundo trimestre.