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A empresa de robótica agrícola Carbon Robotics anunciou nesta segunda-feira o lançamento do Large Plant Model (LPM), um novo modelo de inteligência artificial capaz de identificar espécies de plantas instantaneamente. A tecnologia, que será distribuída via atualização de software, elimina a necessidade de retreinar as máquinas da empresa cada vez que uma nova erva daninha aparece em uma plantação.

Fundada em 2018 e com sede em Seattle, nos Estados Unidos, a Carbon Robotics fabrica o LaserWeeder, uma frota de robôs autônomos que utiliza lasers para eliminar ervas daninhas. O novo LPM servirá como o "cérebro" do sistema de IA da empresa, chamado Carbon AI, que opera dentro desses equipamentos.

Como funciona o novo modelo

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O Large Plant Model foi treinado com mais de 150 milhões de fotos e pontos de dados coletados pelas máquinas da empresa em mais de 100 fazendas, distribuídas por 15 países onde os robôs já operam. Segundo Paul Mikesell, fundador e CEO da Carbon Robotics, antes do desenvolvimento do LPM, o processo para ensinar as máquinas a reconhecer um novo tipo de planta levava cerca de 24 horas, exigindo a criação de novos rótulos de dados.

"O agricultor pode viver em tempo real e dizer: 'Ei, isso é uma nova erva daninha. Quero que você mate isto'", explicou Mikesell em entrevista ao site TechCrunch. "Não há novo rotulagem ou retreinamento porque o Large Plant Model entende, em um nível muito mais profundo, o que está olhando e o tipo de planta."

Experiência anterior e financiamento

Paul Mikesell possui anos de experiência na construção de redes neurais, acumulada em funções anteriores na Uber e no trabalho com os headsets de realidade virtual Oculus, da Meta. O desenvolvimento do LPM começou pouco depois que a empresa começou a enviar suas primeiras máquinas, em 2022.

A Carbon Robotics já levantou mais de US$ 185 milhões em capital de risco de investidores como a NVentures (da Nvidia), Bond e Anthos Capital. A empresa planeja continuar ajustando o modelo conforme suas máquinas alimentam o LPM com novos dados coletados em campo.

Próximos passos e aplicação prática

Com a atualização de software, os agricultores poderão instruir as máquinas sobre o que eliminar e o que proteger diretamente pela interface do usuário do robô, selecionando fotos já capturadas pelo equipamento. Mikesell afirma que, com o volume de dados atual, o sistema deve ser capaz de analisar qualquer imagem e determinar o tipo de planta, sua espécie e estrutura, mesmo sem tê-la visto antes.

"Temos dados suficientes agora para poder olhar para qualquer imagem e decidir que tipo de planta é, qual é a espécie, com o que está relacionada, como é sua estrutura, sem nunca ter visto aquela planta em particular antes, porque temos tantos dados entrando na rede neural", concluiu o CEO.