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Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", tentou fechar contratos milionários com o Ministério da Saúde para a venda de medicamentos à base de cannabis, testes rápidos de dengue e produtos de nutrição infantil. As informações, obtidas pelo G1, revelam que o lobista, figura central nas fraudes de benefícios previdenciárias descobertas em 2025, foi recebido em reunião na pasta em janeiro do ano passado.

Apesar do encontro, o governo federal não adquiriu os produtos das empresas ligadas a ele. A atuação de Antunes e de seus funcionários junto ao ministério está registrada em mensagens de WhatsApp que estão sob análise da Polícia Federal (PF).

STF já apontava saúde como nova frente criminosa

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso das fraudes, afirmou em dezembro que o Ministério da Saúde era a "nova possível área de atuação da organização criminosa". Na ocasião, ele determinou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apurasse administrativamente "eventuais irregularidades praticadas por servidores públicos".

Uma das linhas de investigação é a suspeita de que Antunes tenha usado dinheiro desviado das aposentadorias para pagar propinas e estruturar empresas que miravam contratos públicos na área da saúde.

Empresa de cannabis e termo de referência

As mensagens apreendidas mostram que uma das empresas envolvidas é a World Cannabis, ligada à venda de medicamentos de cannabis. Em 19 de dezembro de 2024, Antunes discutiu com funcionários um processo de revisão da resolução nº 327 da Anvisa, que trata da autorização para fabricação e importação desses produtos.

Quatro dias antes, em 13 de dezembro, a equipe do lobista compartilhou em um grupo de WhatsApp um arquivo com a minuta de um Termo de Referência (TR) que previa a compra de 1,2 milhão de frascos de canabidiol pelo Ministério da Saúde, um contrato potencialmente milionário.

Testes de dengue também foram alvo

Em janeiro de 2025, o foco mudou para testes rápidos de dengue. As conversas indicam que a equipe de Antunes também elaborou um Termo de Referência para a compra desses testes pelo ministério, igualmente sem previsão de licitação. Assim como no caso dos medicamentos de cannabis, a tentativa não resultou em contrato formal.

As investigações seguem para apurar a extensão das tentativas de influência e a possível conexão com o esquema criminoso desmantelado no INSS.