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Um número crescente de celebridades dos Estados Unidos tem anunciado mudanças para o exterior, citando o clima político do país como fator decisivo. A tendência, que ganhou força após a reeleição de Donald Trump em 2024, inclui nomes como Ellen DeGeneres, Rosie O'Donnell e o cineasta James Cameron, que buscaram refúgio em países como Inglaterra, Irlanda e Nova Zelândia.

O fenômeno não é inédito – ameaças de deixar o país foram comuns durante a eleição de 2016 –, mas agora se concretiza com mudanças permanentes. Dados de serviços de imigração, como o site Bureaucracy.es, que auxilia americanos a se mudarem para a Espanha, mostram um aumento de mais de 300% nas consultas desde novembro de 2024.

Mudanças concretas e declarações públicas

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Ellen DeGeneres e Portia de Rossi deixaram sua casa em Montecito, Califórnia, e se estabeleceram em uma propriedade de 10 mil pés quadrados no interior da Inglaterra, chamada Hiaven. Em evento em julho de 2025, DeGeneres afirmou ao apresentador Richard Bacon que a decisão foi tomada assim que os resultados eleitorais de 2024 foram divulgados. "Nós dissemos: 'Vamos ficar aqui. Não vamos voltar'", relatou a comediante.

Rosie O'Donnell se mudou para a Irlanda com sua filha mais nova em 15 de janeiro de 2025, dias antes da posse de Trump. Em vídeo no TikTok, a atriz e apresentadora, que tem avós irlandeses, declarou que a decisão foi "a melhor para mim e minha filha de 12 anos". Ela está em processo de obter a cidadania irlandesa e afirmou que só considerará retornar aos EUA "quando for seguro para todos os cidadãos terem direitos iguais".

Preocupações com segurança e estilo de vida

A atriz Sophie Turner, que viveu nos EUA após se casar com Joe Jonas, citou a violência armada e a revogação do direito ao aborto (Roe v. Wade) como motivos para retornar a Londres. "Tudo simplesmente se acumulou", disse ela à Harper's Bazaar em outubro de 2024. O tiroteio em Uvalde, em 2022, que matou 19 crianças e dois professores, foi o ponto de virada. "Eu sabia que era hora [de sair]", afirmou.

Laverne Cox, estrela de "Orange Is the New Black", expressou medo após as eleições de 2024. Em podcast, ela revelou que pesquisa cidades na Europa e no Caribe para uma possível mudança. "Como figura pública, com todo o meu privilégio, estou com medo, e estou particularmente com medo porque sou uma figura pública. Sinto que poderia ser um alvo", disse Cox.

Outros casos e a reação oficial

O bilionário James Cameron tornou-se cidadão neozelandês em 2025 e produz seus filmes de "Avatar" no país. Em entrevista à Stuff, ele criticou a reeleição de Trump: "Acho isso horrível. Vejo como um afastamento de tudo que é decente". Ele afirmou estar na Nova Zelândia "pela sanidade", e não apenas pela paisagem.

Robin Wright ("House of Cards") vive nas Chiltern Hills, na Inglaterra, e descreveu a vida lá como "tranquila", em contraste com a correria dos EUA. Já Richard Gere e sua esposa venderam uma casa em Connecticut e se mudaram para a Espanha. Em discurso, Gere chamou Trump de "valentão e bandido".

A Casa Branca minimizou as partidas. "Boa viagem!", disse a secretária-assistente de imprensa Taylor Rogers à Business Insider quando questionada sobre a resposta da administração Trump.

Quem ameaçou, mas (ainda) não saiu

Algumas celebridades fizeram ameaças públicas de deixar o país que não se materializaram. Barbra Streisand disse em 2023 que não poderia viver nos EUA se Trump fosse reeleito, sugerindo que se mudaria para a Inglaterra. No entanto, posts recentes em suas redes sociais indicam que ela ainda reside no norte da Califórnia.

Cher também prometeu sair do país caso Trump vencesse, mas seus representantes não confirmaram nenhuma mudança até o momento. Lena Dunham ameaçou se mudar para o Canadá em 2016, mas depois reconsiderou, pedindo para "lutar" dentro do país. Ela eventualmente se mudou para Londres, mas atribuiu a decisão a oportunidades de trabalho.

O interesse por "mudar para o exterior" atingiu o pico nas buscas da internet em novembro de 2024. Embora tenha arrefecido desde então, permanece em níveis mais altos do que em anos anteriores, indicando que a discussão sobre emigração por motivos políticos continua relevante para parte da população americana.