O CEO da Tether, Paolo Ardoino, iniciou uma intensa campanha de entrevistas à imprensa internacional nesta semana, em um esforço para reposicionar a empresa emissora da maior stablecoin do mundo. A estratégia coincide com o lançamento do USAT, primeiro produto da Tether regulado nos Estados Unidos, e ocorre em meio a uma corrida acirrada com gigantes financeiros como Fidelity, JPMorgan Chase e PayPal.
Durante anos, a Tether e sua criptomoeda atrelada ao dólar, a USDT, foram alvo de ceticismo de reguladores e investigações por suposta opacidade. Agora, Ardoino, de 41 anos, busca transformar essa narrativa, enfatizando parcerias com agências de aplicação da lei dos EUA e uma reserva financeira robusta.
Mudança de estratégia em meio a nova concorrência
A ofensiva midiática de Ardoino não é casual. Ela acompanha o lançamento do USAT, uma stablecoin regulada emitida em parceria com o Anchorage Digital Bank para cumprir as novas regras federais americanas e competir diretamente com a USDC, da Circle. A entrada da Fidelity Investments no mercado nesta semana intensificou a disputa.
"O que a Tether criou é a maior história de sucesso de inclusão financeira na história da humanidade", afirmou Ardoino em entrevista à TechCrunch. Ele citou que a empresa trabalha com quase 300 agências policiais em mais de 60 países e que a transparência do blockchain facilita o monitoramento de atividades ilícitas.
Respostas às críticas e demonstração de força
Questionado sobre reportagens que ligam a USDT a esquemas de lavagem de dinheiro, Ardoino minimizou os casos, chamando-os de "verdadeiramente uma gota no oceano". Ele argumentou que a tecnologia da Tether é superior ao dinheiro físico para a aplicação da lei, destacando que a empresa já congelou US$ 3,5 bilhões em tokens, a maioria pertencente a vítimas de golpes.
O executivo também rebateu críticas sobre a solidez da USDT, lembrando a resistência da empresa durante a crise do TerraLuna em 2022. Na ocasião, a Tether resgatou US$ 20 bilhões (25% de suas reservas) em 20 dias, um volume que, segundo ele, nenhum banco tradicional sobreviveria.
Expansão para ouro e inteligência artificial
As ambições da Tether vão além das stablecoins. A empresa lançou a Tether Gold, lastreada em ouro físico, que já tem US$ 2,6 bilhões em circulação. Ardoino revelou que a companhia detém cerca de 140 toneladas de ouro, no valor aproximado de US$ 24 bilhões, posicionando-a como um dos maiores detentores privados do metal no mundo.
Na área de tecnologia, a Tether investiu mais de US$ 1 bilhão na empresa alemã de robótica e IA Neura e lançou a plataforma de IA descentralizada Qvac. O objetivo, segundo o CEO, é replicar a estratégia de inclusão financeira, levando inteligência artificial acessível para populações de baixa renda por meio de smartphones.
Contexto regulatório e futuro
A Tether acumula US$ 30 bilhões em reservas excedentes além do necessário para resgatar todos os tokens em circulação. Esses recursos são administrados pela Cantor Fitzgerald, empresa associada ao ex-CEO e atual Secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, que publicamente atestou a legitimidade da Tether.
Ardoino reconhece os riscos políticos, mas espera que a inclusão financeira de seus 536 milhões de usuários seja uma causa apoiada por ambos os partidos nos EUA. Enquanto isso, a empresa se prepara para um possível cenário em que a legislação em tramitação no Congresso americano proíba o pagamento de juros a detentores de stablecoins, o que consolidaria seu modelo de negócios atual.