O CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, afirmou que para as empresas obterem sucesso real com a inteligência artificial é necessário "jogar fora todas as políticas antigas" e reconstruir processos do zero. A declaração foi feita durante sua participação no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, nesta semana.
Khosrowshahi criticou empresas que apenas "dizem as palavras certas" e "fingem uma transformação" sem mudar efetivamente como operam. Para ele, usar a IA para tarefas simples, como resumir uma proposta para um cliente, é o "fácil" e não diferencia as companhias no mercado.
Experiência prática na Uber revela desafio
"Mudar verdadeiramente a forma como você trabalha com a IA, descobrimos que é muito mais difícil do que parece", disse o executivo. Ele usou o exemplo do atendimento ao cliente na Uber para ilustrar o ponto. Inicialmente, a empresa tentou fazer um agente de IA seguir suas políticas antigas, com algum sucesso.
No entanto, o "avanço" real veio quando os desenvolvedores reconstruíram o sistema do zero, dando ao agente de IA objetivos claros, como fazer o cliente se sentir bem após a interação. "Permitir que a IA realmente raciocine sobre isso e descarte todas as políticas antigas está se mostrando o caminho mais promissor a seguir", explicou Khosrowshahi.
Empresas vistas como um "conjunto de políticas"
O CEO da Uber argumentou que as empresas são essencialmente um "monte de políticas", e que para obter todo o potencial da inteligência artificial, elas precisariam "quebrar essas regras e começar de novo". Internamente, os desenvolvedores da Uber estão usando ferramentas de IA como o Cursor, da Anysphere, e o Claude, da Anthropic.
A adoção de IA tem sido uma prioridade para muitas corporações. Uma pesquisa recente da RBC Capital com profissionais de TI mostrou que 90% dos entrevistados planejam gastar mais com a tecnologia este ano, na esperança de ganhos de produtividade.
Adoção não é simples e gera preocupações
Khosrowshahi reconheceu que acertar na adoção de IA em uma empresa nem sempre é tranquilo. "Você tem que sobreviver a um monte de acidentes de carro internamente para fazer isso", afirmou. Seu comentário ecoa preocupações mais amplas do mercado de que a IA nem sempre está correspondendo ao hype e de que seu uso pode estar erodindo as habilidades dos trabalhadores.
O executivo concluiu reforçando que a verdadeira transformação com inteligência artificial exige uma revisão profunda e corajosa dos processos estabelecidos, indo além da mera automação de tarefas existentes.