O CEO do Google DeepMind, Demis Hassabis, afirmou estar "surpreso" com a decisão da OpenAI de introduzir anúncios em seu chatbot de inteligência artificial, o ChatGPT. A declaração foi feita durante uma entrevista à Axios no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na SuÃça. O executivo comentou que sua equipe está analisando "com muito cuidado" a monetização de serviços de IA por meio de publicidade.
Hassabis destacou que não sente pressão da gigante de tecnologia para tomar uma decisão "precipitada" sobre o assunto, mesmo os anúncios sendo fundamentais para o negócio principal da Google. As declarações ocorrem após a OpenAI anunciar, na sexta-feira, que começará a testar anúncios como forma de gerar receita adicional dos usuários gratuitos do serviço, que tem 800 milhões de usuários ativos semanais.
Questionamentos sobre confiança e experiência do usuário
O cofundador da DeepMind questionou como a publicidade se encaixa no modelo de um assistente digital projetado para ser útil. "Há uma questão sobre como os anúncios se encaixam nesse modelo?... Você quer ter confiança no seu assistente, então como isso funciona?", indagou Hassabis. Ele reiterou que a Google não tem "nenhum plano atual" para inserir anúncios em seu chatbot de IA, o Gemini, e que a empresa monitorará a reação dos usuários.
A preocupação do executivo ecoa uma reação negativa recente do público. No mês passado, a OpenAI testou um recurso que sugeria aplicativos durante conversas, o que foi interpretado por usuários como anúncios intrusivos. A empresa desativou as sugestões, alegando que não eram anúncios por não terem "componente financeiro".
Diferença fundamental entre busca e assistente pessoal
Hassabis explicou que a experiência de usar um chatbot é muito diferente da busca no Google. Enquanto no mecanismo de busca a intenção do usuário já é clara, permitindo anúncios potencialmente úteis, os assistentes de IA são projetados para se tornarem ajudantes digitais que conhecem o usuário e auxiliam em diversos aspectos da vida. "Acho que isso é muito diferente do caso de uso da busca. Então acho que isso tem que ser pensado com muito cuidado", completou.
Box explicativo: O Google anunciou nesta segunda-feira novos recursos de personalização para o Modo de IA do Gemini, permitindo que usuários optem por respostas personalizadas com base em seus e-mails e fotos do Gmail. A funcionalidade é semelhante ao recurso de Inteligência Pessoal recentemente adicionado ao aplicativo do Gemini.
Histórico de rejeição e futuro cauteloso
A rejeição a anúncios em assistentes não é novidade. Clientes rejeitaram tentativas anteriores da Amazon de infundir publicidade na experiência da Alexa, preferindo um assistente a um "vendedor pessoal". Hassabis afirmou que não sente pressão de cima para forçar anúncios no produto de IA, mas admitiu que pode haver uma maneira correta de implementá-los no futuro.
"Não sentimos nenhuma pressão imediata para tomar decisões precipitadas como essa – acho que essa tem sido a história do que fizemos no GoogleMind – é ser muito cientÃfico, rigoroso e ponderado sobre cada passo que damos – seja na tecnologia em si ou no produto", observou o CEO. A empresa pretende observar como os usuários respondem à iniciativa da OpenAI antes de tomar qualquer decisão.