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Winston Weinberg, cofundador e CEO da startup de inteligência artificial jurídica Harvey, adotou uma abordagem agressiva e de alto risco nas primeiras demonstrações de seu produto para advogados. Em vez de apresentar funcionalidades, ele usava a ferramenta para analisar e criticar publicamente petições judiciais que os próprios juristas haviam redigido, conforme revelou em episódio do podcast "Sequoia Capital" publicado na quinta-feira.

A tática, segundo Weinberg, visava capturar a atenção limitada dos profissionais em poucos segundos. "Eu tentava criar prompts que eram tipo 'Isso está ruim'", contou o executivo. O método era arriscado porque versões iniciais da IA podiam "alucinar" e produzir análises incorretas, o que poderia encerrar imediatamente a conversa com um potencial cliente.

Estratégia de crescimento e valoração bilionária

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Apesar dos riscos, a estratégia mostrou-se eficaz quando a análise da IA acertava. "Mas nas vezes em que ela acertava, estava decidido", afirmou Weinberg, referindo-se ao momento em que conquistava o interesse do advogado. A Harvey é uma das startups mais observadas no setor de IA jurídica e atingiu uma valoração de US$ 8 bilhões em dezembro, após rodada de financiamento liderada pela A16z.

Nos primeiros dias, sem conexões na área após apenas oito meses de prática jurídica, Weinberg recorreu ao cold outreach, enviando mensagens para milhares de advogados no LinkedIn para garantir as primeiras reuniões de demonstração.

Mercado em expansão e visão de futuro

Weinberg destacou que o rápido crescimento do setor de IA jurídica força mudanças constantes dentro da Harvey, exigindo que ele se "reinvente" como fundador a cada poucos meses. Ele frequentemente reavalia contratações de liderança e a estrutura da empresa para acompanhar a demanda.

Embora a startup tenha alcançado uma valoração bilionária, Weinberg minimiza a ideia de um único vencedor dominante no mercado de tecnologia jurídica. Em uma sessão de "Pergunte-me Qualquer Coisa" no Reddit no mês passado, ele argumentou que o mercado é grande demais para isso.

"Existem cerca de 10 milhões de profissionais jurídicos globais, e a Harvey atende apenas uma porcentagem de um dígito deles", disse. Ele estima que o mercado jurídico global valha aproximadamente US$ 1 trilhão, com apenas cerca de US$ 30 bilhões gastos em tecnologia atualmente.

Investimentos e adoção acelerada

O interesse dos investidores acompanha essa transformação. Startups de legal-tech levantaram US$ 3,2 bilhões no ano passado, de acordo com análise de dezembro da Business Insider com dados da Crunchbase.

A adoção de IA dentro dos escritórios de advocacia também acelera. Cinco dos 10 maiores escritórios de advocacia dos EUA por faturamento informaram à Business Insider em julho que estavam usando IA em seus fluxos de trabalho, incluindo para revisão de documentos e identificação de riscos de compliance.