O CEO da plataforma de publicação Medium, Tony Stubblebine, concedeu nesta quinta-feira (5) permissão para que todos os funcionários da empresa tirem o dia de trabalho de sexta-feira (6) para participar de uma greve geral nacional que protesta contra as ações da Agência de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês). A decisão foi comunicada por Stubblebine em um canal geral de anúncios no Slack.
Os organizadores da greve convocam "nada de trabalho, nada de escola e nada de compras" em meio a um movimento para "desfinanciar" a ICE, que intensificou operações de prisão em cidades americanas. Essas ações resultaram na morte de várias pessoas, incluindo dois cidadãos norte-americanos no início deste mês em Minneapolis.
Participação é individual, não uma ordem da empresa
Na mensagem, Stubblebine deixou claro que a escolha de participar é individual e não um mandato corporativo. "Quer você queira tirar o dia completamente do trabalho, fazer um dia de trabalho parcial ou orientar seu trabalho para algo que pareça alinhado com os objetivos da greve, isso cabe a você", escreveu o executivo.
Ele afirmou que a Medium não está "no negócio de ditar a política das pessoas", mas reconheceu que a plataforma tem um papel importante em ajudar as pessoas a compartilhar notícias e análises sobre política e cultura. Para garantir a continuidade dos negócios na sexta-feira, a empresa coordenará um plano com as equipes necessárias.
Posicionamento em meio a doações para campanha de Trump
Stubblebine argumentou que a Medium tem a responsabilidade de "deixar sua posição clara", especialmente "enquanto muitas outras organizações de tecnologia estão doando para a campanha de Trump". Ele também disse que o produto da empresa existe para ajudar a "elevar a verdade e vozes diversas", e não conteúdo de ódio ou racismo.
A mensagem do CEO reiterou o apoio da Medium às políticas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI), um conjunto de iniciativas que o governo Trump tentou desmantelar por meio de ordens executivas, eliminação de cargos DEI no funcionalismo público, remoção de currículos e ações judiciais.
"Nosso negócio prospera quando o país prospera, e por isso estar lá fora representando é bom para [nossa] missão", afirmou Stubblebine.
Contexto de protestos no setor de tecnologia
Líderes do setor de tecnologia, incluindo o cientista-chefe do Google DeepMind, Jeff Dean, têm se manifestado publicamente contra a ICE. No entanto, muitas grandes empresas e executivos de tecnologia passaram as últimas semanas cortejando o favor do governo Trump.
Alguns executivos – incluindo o CEO da Apple, Tim Cook – foram criticados por comparecer à exibição do documentário "Melania", produzido pela Amazon MGM Studios, no mesmo dia em que agentes federais de imigração atiraram e mataram a enfermeira de UTI Alex Pretti em Minneapolis.
Enquanto isso, muitos funcionários de base da indústria de tecnologia exigiram que a ICE e a Patrulha de Fronteira (CBP) saiam das cidades dos EUA, conforme evidenciado por uma carta aberta assinada por mais de 500 funcionários do setor.