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CFM alerta que 13 mil formandos de medicina têm preparo insuficiente, aponta Enamed
Saúde e Bem-Estar

CFM alerta que 13 mil formandos de medicina têm preparo insuficiente, aponta Enamed

Conselho Federal de Medicina afirma que desempenho crítico de mais de um terço dos concluintes expõe população a riscos.

Redação
Redação
21 de janeiro de 2026

O Conselho Federal de Medicina (CFM) afirmou que mais de 13 mil estudantes que concluem o curso de medicina no Brasil não demonstraram preparo mínimo para exercer a profissão. A avaliação é baseada nos resultados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enamed) 2025, divulgados nesta segunda-feira (13) pelo Ministério da Educação (MEC). Para o conselho, o dado confirma uma falha estrutural na formação médica e representa um risco imediato para a saúde da população.

Segundo os dados oficiais, 13.871 dos 39.256 concluintes avaliados obtiveram conceitos 1 ou 2, classificados como "crítico" e "insuficiente" pela metodologia do exame. O presidente do CFM, José Hiran Gallo, criticou a situação. "Quando mais de um terço dos egressos de Medicina obtém desempenho considerado insuficiente pelo próprio MEC, estamos diante de um problema estrutural gravíssimo", afirmou.

Maioria dos cursos problemáticos é da rede privada

Os números do MEC mostram que a maioria dos cursos com desempenho considerado crítico ou insuficiente pertence à rede privada de ensino. Das 24 faculdades que receberam conceito 1, 17 são particulares. Entre as 83 que ficaram com conceito 2, 72 também são privadas.

Para o CFM, o resultado reforça a crítica à expansão acelerada de escolas médicas sem critérios mínimos de qualidade, infraestrutura adequada e campos de prática suficientes para a formação clínica dos estudantes.

Limitações do exame e defesa de prova de proficiência

O conselho destacou uma limitação crucial do Enamed: o exame avalia os cursos, mas não funciona como um filtro individual para o exercício profissional. Isso significa que, mesmo com desempenho considerado insuficiente, o estudante conclui a graduação e pode obter registro para atuar como médico.

Diante desse cenário, o CFM voltou a defender a criação de um Exame Nacional de Proficiência em Medicina, que seria obrigatório para a concessão do registro profissional, seguindo o modelo do exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A entidade argumenta que garantir que apenas médicos capacitados atuem é responsabilidade dos conselhos profissionais.

Como parâmetro de segurança, o CFM afirma que todos os cursos de medicina em funcionamento no país deveriam alcançar, no mínimo, conceito 4 no Enamed. Nesse nível, ao menos 75% dos alunos demonstram bom desempenho. A entidade alerta que, enquanto esse patamar não for exigido, o país continuará formando profissionais sem preparo mínimo, com impacto direto na qualidade do atendimento à população.

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