Chuva de rãs: fenômeno raro já registrado em diversos países ao redor do mundo
Evento meteorológico incomum, onde anfíbios caem do céu, tem explicações científicas baseadas em trombas d'água e tornados.
O fenômeno conhecido como "chuva de animais", onde pequenos animais como rãs e peixes caem do céu junto com a precipitação, é um evento meteorológico raro, mas já documentado em diversas partes do mundo. Apesar de parecer algo saído de lendas ou filmes, o acontecimento tem explicações científicas baseadas em forças da natureza, como trombas d'água e tornados.
Segundo meteorologistas, o mecanismo mais aceito para o fenômeno envolve fortes correntes de vento ascendentes, associadas a tempestades ou tornados sobre corpos d'água. Esses ventos são capazes de sugar pequenos animais, como rãs, peixes ou pássaros, para grandes altitudes dentro de nuvens de tempestade. Os animais são então transportados por certa distância antes de serem depositados no solo durante a chuva.
Registros históricos e ocorrências globais
Relatos de chuvas de animais são encontrados em crônicas históricas de diversas culturas. Um dos casos mais famosos ocorreu em 2005, na Sérvia, quando uma chuva de sapos surpreendeu moradores de uma pequena cidade. Em 2010, um evento semelhante foi registrado na cidade de Lajamanu, no deserto australiano, quando centenas de peixinhos caíram do céu.
No Japão, em 2009, uma chuva de girinos foi reportada. Já na Grécia antiga, o filósofo e naturalista grego Ateneu descreveu um evento de chuva de peixes que durou três dias. Esses registros, embora esparsos ao longo da história, seguem um padrão similar, sempre associados a condições climáticas extremas.
A explicação científica por trás do fenômeno
O principal mecanismo responsável é a ação de trombas d'água ou tornados sobre lagos, rios ou oceanos. Esses vórtices funcionam como um aspirador natural, capturando água e qualquer coisa que esteja próxima à superfície, incluindo animais de pequeno porte. Uma vez dentro da nuvem, os animais são levados pelas correntes de ar.
"É um fenômeno raro, mas perfeitamente explicável pela física atmosférica", explica um meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). "A energia de um tornado ou de uma nuvem de tempestade forte é suficiente para levantar objetos com baixa massa. Quando a força do vento diminui, ou a precipitação começa, esses animais caem, muitas vezes ainda vivos".
Outra teoria menos comum sugere que fortes ventos horizontais podem varrer animais de locais como pântanos durante enxurradas e depositá-los em áreas distantes durante uma tempestade. No entanto, a teoria das trombas d'água é a mais amplamente aceita pela comunidade científica para explicar casos sobre corpos d'água.
Impacto e curiosidades
Embora assustador para quem presencia, a chuva de animais raramente causa danos significativos, uma vez que os espécimes envolvidos são pequenos. Os animais costumam cair em uma área relativamente concentrada, surpreendendo os moradores locais. Em muitos casos, os bichos sobrevivem à queda.
O fenômeno é tão peculiar que inspirou diversas obras culturais, sendo tema de filmes, documentários e até expressões idiomáticas. Cientistas afirmam que, com as mudanças climáticas e a possível intensificação de eventos meteorológicos extremos, a ocorrência de fenômenos raros como este pode, teoricamente, se tornar um pouco menos incomum, embora permaneça uma raridade estatística.
Para registrar e estudar tais eventos, cientistas dependem fortemente de relatos de testemunhas, fotos e vídeos, já que são imprevisíveis. Institutos de meteorologia ao redor do mundo mantêm registros dessas ocorrências para melhor compreender as condições atmosféricas capazes de produzi-las.
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