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Cientista brasileiro envia minicérebros ao espaço para estudar envelhecimento e doenças

Cientista brasileiro envia minicérebros ao espaço para estudar envelhecimento e doenças

Pesquisador da UCLA usa microgravidade para acelerar estudos neurológicos e busca parceria com saberes indígenas da Amazônia.

Redação
Redação

29 de dezembro de 2025 ·
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O cientista brasileiro Alysson Muotri, de 50 anos, está na vanguarda da pesquisa neurológica ao utilizar minicérebros criados em laboratório e enviados ao espaço para estudar o envelhecimento e doenças como o Alzheimer. Pesquisador da Universidade da Califórnia (UCLA), Muotri desenvolve organoides cerebrais do tamanho de uma lentilha que, após cerca de 30 dias na Estação Espacial Internacional, apresentam marcadores de envelhecimento equivalentes a décadas.

A motivação para a pesquisa surgiu na infância do cientista, ao acompanhar os primeiros sinais de Alzheimer em seu avô. Formado em ciências biológicas pela UNICAMP e doutor em genética pela USP, Muotri enfrentou a limitação dos modelos animais e encontrou na reprogramação celular, técnica descoberta em 2012, a solução para criar modelos humanos reduzidos do cérebro.

Do espaço à floresta: uma rede de conhecimento

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A parceria com o espaço surgiu como solução para um impasse: os minicérebros criados em laboratório não envelheciam, impedindo o estudo de doenças neurodegenerativas tardias. Inspirado por dados da NASA que mostravam envelhecimento celular precoce em astronautas, Muotri propôs usar a microgravidade para acelerar o processo. Após uma negativa inicial da agência espacial americana, o pesquisador fechou acordo com a empresa Space Tango e utilizou lançamentos da SpaceX para enviar suas primeiras remessas.

“A microgravidade traz diversas vantagens para a gente, e vai ser um tipo de tecnologia inevitável que um monte de grupos vai acabar usando”, afirmou Muotri em entrevista ao Portal iG. Os resultados validaram a hipótese, o que levou a NASA a aceitar uma colaboração posterior. O próximo passo é o treinamento de cientistas-astronautas brasileiros para realizar experimentos diretamente em órbita, missão atualmente aguardando uma nova janela de lançamento.

Ponte com a Amazônia e respeito ao conhecimento ancestral

Em paralelo aos experimentos espaciais, outro braço da pesquisa avança em solo brasileiro. Em parceria com o professor Spartaco Astolfi Filho, da Universidade Federal da Amazônia (UFA), Muotri investiga substâncias extraídas de plantas usadas tradicionalmente por povos indígenas, buscando moléculas com potencial de proteção cerebral.

O trabalho é desenvolvido em colaboração com lideranças indígenas, como o pajé Siã Huni Kuin, garantindo o respeito ao conhecimento ancestral e que eventuais benefícios retornem às comunidades e à preservação da floresta. “A gente acaba acelerando o nosso conhecimento ao fazer os experimentos no espaço. Então vai abrir uma oportunidade gigantesca”, completou o pesquisador sobre o futuro da área.

A trajetória de Alysson Muotri conecta, assim, três universos distintos: a biologia celular de ponta, a tecnologia espacial e os saberes tradicionais da Amazônia, em uma busca contínua por respostas sobre o cérebro humano e as doenças que o afetam.

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