Uma espécie é considerada em risco de extinção quando sua população atinge níveis tão críticos que sua sobrevivência a longo prazo se torna impossível, segundo explicações de bióloga especialista. O Brasil, por ser um país megadiverso, concentra um grande número de espécies ameaçadas, muitas delas ainda pouco conhecidas do público.
A afirmação é da bióloga Amanda Scardini Leon Isaac, que detalhou ao Portal iG os critérios científicos para classificar o risco de desaparecimento de animais e plantas. A principal referência mundial para essa avaliação é a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que utiliza parâmetros quantitativos bem definidos.
Como a ciência classifica o risco
De acordo com a especialista, a IUCN avalia fatores como tamanho e tendência populacional, área de distribuição geográfica, grau de fragmentação do habitat e impactos de ameaças conhecidas, como desmatamento. Com base nesses dados, as espécies são classificadas em categorias de risco específicas.
“Uma espécie vulnerável já apresenta declínio ou restrições que podem levá-la à extinção no médio prazo. A categoria em perigo indica um risco mais elevado e iminente. Já as espécies criticamente em perigo estão em uma situação extremamente grave, com chances muito altas de extinção em um futuro próximo”, afirmou Scardini.
A bióloga ressalta que a extinção é uma das afirmações mais difíceis de fazer na biologia, especialmente para espécies pouco estudadas ou de ambientes de difícil acesso. Por isso, os cientistas costumam adotar critérios conservadores, exigindo longos períodos sem registros confiáveis mesmo após buscas extensivas.
Panorama brasileiro e principais ameaças
No cenário nacional, o principal fator que contribui para a extinção de espécies é a perda e fragmentação de habitats, especialmente devido ao desmatamento, à expansão agropecuária, à mineração e à urbanização. Outros fatores negativos incluem caça e pesca predatórias, introdução de espécies exóticas invasoras, poluição e mudanças climáticas.
Scardini cita exemplos concretos de espécies ameaçadas no território brasileiro, como o mico-leão-dourado, o tamanduá-bandeira, a onça-pintada em algumas regiões, o papagaio-de-peito-roxo e várias espécies de anfíbios, que são extremamente sensíveis às alterações ambientais.
Dados oficiais do Ministério do Meio Ambiente indicam que 1.254 espécies e subespécies brasileiras estão atualmente ameaçadas de extinção, conforme as Portarias MMA nº 148/2022 e nº 354/2023. O levantamento abrange 59 anfíbios, 257 aves, 102 mamíferos, 71 répteis, 393 peixes e 372 invertebrados.
Consequências irreversíveis e alerta
Quando uma espécie é oficialmente considerada extinta, significa que não existem mais indivíduos vivos, nem na natureza e nem em cativeiro. “Na prática, isso representa uma perda irreversível de patrimônio biológico, genético e ecológico”, afirma a especialista.
Além de causar desequilíbrios nas cadeias alimentares e ecossistemas, a extinção de uma espécie serve como um alerta sobre falhas nos esforços de conservação. Scardini conclui que esse fato “indica falhas nos esforços de conservação e serve como base para revisar políticas ambientais, estratégias de manejo e prioridades de preservação, buscando evitar que o mesmo aconteça com outras espécies”.