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O colunista e humorista Oscar Filho publicou um artigo no portal iG no qual critica veementemente a nova campanha publicitária da marca de chinelos Havaianas, estrelada pela atriz Fernanda Torres. Segundo ele, a peça, que traz frases como "comece o ano novo com os dois pés", promove uma série de exclusões e intolerâncias.

Filho, que é apresentador, ator e um dos pioneiros do stand-up no Brasil, argumenta que a campanha é direitofóbica, capacitista, asfaltofóbica e frutofóbica. A crítica surge em um contexto onde parte do público e analistas interpretaram o comercial como uma "indireta contra a direita", por ser veiculado em um ano eleitoral como 2026.

Críticas detalhadas à mensagem

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O colunista desmonta frase por frase do slogan. Sobre "comece o ano novo com os dois pés", questiona: "E quem não tem um dos pés? Ganha 50% de desconto? E quem não tem os dois?". Ele acusa a marca de excluir pessoas com deficiência, sugerindo que a sorte estaria condicionada ao uso do produto.

Quanto a "com os dois pés na porta", Filho vê uma "instigação à violência imobiliária e destruição de patrimônio privado", além de risco de fraturas. A expressão "com os dois pés na estrada" é ligada por ele a dívidas com IPVA e ao fracasso financeiro.

Repúdio ao desperdício e intolerância religiosa

A menção a "com os dois pés na jaca" recebeu uma das críticas mais contundentes. O humorista lembra que, segundo estimativas de 2024, 670 milhões de pessoas passam fome no mundo, e acusa a campanha de incentivar o pisoteio de alimentos nutritivos. "Apenas uma jaca é capaz de alimentar a cidade de Atibaia inteira", escreveu.

A frase final, "Vai com tudo. De corpo e alma, da cabeça aos pés", foi interpretada como "óbvia intolerância religiosa explícita", por excluir quem não acredita no conceito de alma. Ele ironiza: "Teria ela inventado o chinelo espírita?".

Proposta alternativa e conclusão

Oscar Filho propõe um slogan mais inclusivo: "Com os dois pés… ou com rodas, muletas, próteses, ou qualquer forma de seguir em frente". Ele afirma que, da forma como foi feita, é "a pior campanha já feita por um calçado de etileno vinil acetato".

O artigo termina com um repúdio total à marca, que, em sua visão, exclui "a direita, os deficientes, quem não tem carro, os famintos e os ateus". Ele deseja que a empresa "mereça apanhar no bumbum com o próprio produto" e que "derreta como chinelo em asfalto quente".