Proprietários de pequenos estabelecimentos na região de Minneapolis-St. Paul, Minnesota, estão transformando suas lojas em centros de apoio comunitário e participando de um boicote econômico nesta sexta-feira (23), em resposta à intensificação das operações do Serviço de Imigração e Controle Alfandegário (ICE) no estado. A ação, chamada de "dia de apagão econômico", é um protesto contra a "Operação Metro Surge", que desde dezembro deslocou um grande número de agentes federais para a região.
A tensão na área aumentou após o policial Jonathan Ross atirar fatalmente em Renee Gold, de 37 anos, no dia 7 de janeiro. Em meio a este cenário, mais de 200 estabelecimentos locais anunciaram nas redes sociais que vão participar da paralisação, seja fechando as portas, doando a receita do dia ou funcionando como espaços comunitários gratuitos, segundo compilação do site de notícias locais Bring Me The News.
Doações e espaços gratuitos substituem o comércio
Na loja de brinquedos Mischief Toys, em St. Paul, o proprietário Dan Marshall estima ter distribuído cerca de 4.000 apitos impressos em 3D para a comunidade, usados como sistema de alerta e protesto. "O varejo parece totalmente diferente agora", disse Marshall. "Parece uma forma de conexão com nossa comunidade que não sentíamos antes. É muito cru." Ele recebeu um aviso do ICE solicitando verificação da elegibilidade de emprego de seus trabalhadores após promover a distribuição dos apitos.
O café especializado Catzen Coffee, que possui uma área com gatos para interação, não fará negócios na sexta, mas abrirá para quem precisar de um espaço, oferecendo café gratuito e interação com os animais. "Temos que fazer o que podemos fazer agora", afirmou a proprietária Vanessa Beardsley, destacando que a perda de receita não foi um fator considerado.
Impacto financeiro e mudança de prioridades
Para Matt Cole, dono da Oh Yeah! Cookie Company, janeiro é tradicionalmente um mês fraco para o varejo, com queda média nas vendas de 17,3% em relação a dezembro, segundo dados da Federação Nacional de Varejo. Este ano, no entanto, a situação se agravou. Cole estima ter doado cerca de US$ 300 em cookies para grupos que distribuem guloseimas para crianças que não podem ir à escola devido à presença do ICE, e promete doar 10% de suas vendas atuais.
JP Pritchett, proprietário da loja de artigos adultos Smitten Kitten em Minneapolis, afirmou que abandonou os preparativos normais para o Dia dos Namorados – considerado a "Super Bowl" do setor – para criar uma "loja gratuita" dentro do estabelecimento. "Paramos todos os negócios regulares e criamos uma loja gratuita dentro da Smitten Kitten onde as pessoas poderiam vir buscar comida ou enviar um amigo ou vizinho de confiança para buscar comida, produtos de higiene, muitas fraldas, fórmula, lenços umedecidos – todas as coisas realmente importantes para sustentar a vida se você estiver se escondendo", explicou Pritchett.
Contexto oficial e próximos passos
Em comunicado à imprensa em 20 de janeiro, a secretária-assistente do Departamento de Segurança Interna (DHS), Tricia McLaughlin, defendeu as ações: "Desde que o presidente Trump assumiu o cargo, o DHS prendeu mais de 10.000 estrangeiros ilegais criminosos em Minnesota, e NÃO estamos desacelerando. Nossos policiais estão salvando inúmeras vidas americanas". O ICE e a Casa Branca não responderam a um pedido de comentário da Business Insider.
Para os empresários, o apoio à comunidade se sobrepõe à lógica comercial. "Fechar no dia 23 envia uma mensagem de que nossa comunidade é muito mais importante do que nosso resultado financeiro", concluiu Dan Marshall, da Mischief Toys. A análise da empresa de pesquisa Consumer Edge sobre dados de cartão de crédito e débito indica que os gastos na região metropolitana de Minneapolis-St. Paul por famílias que ganham menos de US$ 100.000 ficaram abaixo da média nacional nas quatro semanas terminadas em 10 de janeiro.