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A Presidência brasileira da COP30 divulgou nesta sexta-feira (21) novo texto de decisões sem qualquer referência ao fim dos combustíveis fósseis, medida que era defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A mudança ocorreu após pressão de países contrários à medida e gerou reação imediata de nações europeias e latino-americanas.

O documento inicial, apresentado na terça-feira (18), ainda mencionava a criação de um "mapa do caminho" para transição energética global. O plano brasileiro previa eliminação gradual de petróleo, gás natural e carvão, com etapas e metas claras apoiadas por cerca de 100 países.

Reação internacional

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Mais de 30 países assinaram carta de rejeição ao governo brasileiro afirmando que não apoiarão o texto final sem compromisso com abandono dos combustíveis fósseis. Entre os signatários estão nações europeias como Áustria, Bélgica, Finlândia, França, Alemanha, Holanda e Espanha, além de Chile, Colómbia, Costa Rica e México.

Os países ameaçaram bloquear qualquer acordo na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, realizada em Belém. A tensão nas negociações aumentou significativamente com a retirada do trecho sobre transição energética.

Posicionamento dos países

Em trecho da carta obtido pelo The Guardian, as nações afirmaram: "Não podemos apoiar um resultado que não inclua um roteiro para implementar uma transição justa, ordenada e equitativa para longe dos combustíveis fósseis. Essa expectativa é compartilhada pela grande maioria das Partes, bem como pela ciência".

O documento acrescenta que "qualquer coisa aquém disso seria inevitavelmente vista como um retrocesso" após o Balanço Global realizado na COP28. A retirada da menção ao desmatamento também foi criticada pelos países europeus.

Próximos passos

A reportagem do Portal iG contactou a assessoria da COP30 para confirmar as informações e obter posicionamento sobre a carta de rejeição. A matéria será atualizada assim que houver retorno oficial.

As negociações continuam em Belém sob tensão crescente, com risco de impasse nas discussões sobre o futuro energético global. A ausência do compromisso com fim dos combustíveis fósseis representa revés para ambições climáticas internacionais.