Cuba cancela festival de charutos milionário por crise energética após pressão dos EUA
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Cuba cancela festival de charutos milionário por crise energética após pressão dos EUA

Evento que financiava a saúde pública é adiado indefinidamente com blecautes superando 20 horas diárias no país.

Redação Por Redação • 14 de fevereiro de 2026

O governo cubano anunciou neste sábado (14/02) o cancelamento do Festival do Charuto Habanos, um dos eventos mais icônicos e lucrativos do país. A decisão foi tomada em meio a uma grave crise energética, agravada pela pressão econômica dos Estados Unidos sobre os fornecedores de petróleo da ilha. Em mensagem aos participantes, os organizadores informaram o adiamento da edição prevista para os dias 24 a 27 de fevereiro, sem fornecer uma nova data.

O festival, que normalmente arrecada milhões de dólares com leilões de charutos e acessórios exclusivos, destina seus recursos ao sistema de saúde público cubano. Na última edição, o evento gerou cerca de 19,5 milhões de dólares em receita. As vendas internacionais de charutos cubanos, a exportação mais emblemática do país, são uma fonte vital de divisas para sua economia combalida, tendo a Europa como principal mercado.

Pressão americana corta fluxo de petróleo

A crise se aprofundou após os Estados Unidos cortarem o envio de petróleo venezuelano para Cuba, que representava uma parte significativa do suprimento da ilha. A medida foi uma resposta à captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro. Além disso, o presidente americano Donald Trump assinou uma ordem executiva prevendo tarifas contra países que vendam barris para os cubanos.

Sob pressão de Washington, o México, segundo maior fornecedor, suspendeu as remessas previstas para o mês passado. Com o fim dos envios da Venezuela e do México, a Casa Branca explicitamente espera forçar uma mudança de regime em Havana. Desde a captura de Maduro, Trump tem ameaçado o presidente cubano Miguel Díaz-Canel, sucessor de Raúl Castro.

Impacto econômico e social catastrófico

A falta de combustível paralisou setores essenciais. Companhias aéreas internacionais suspenderam voos para Cuba devido à escassez, e vários governos emitiram alertas para que seus cidadãos reconsiderem viagens à ilha. Os apagões, um problema crônico, se intensificaram drasticamente desde janeiro, com blecautes superando 20 horas diárias em amplas regiões do país.

Um estudo do economista cubano Miguel Alejandro Hayes prevê consequências graves: uma queda abrupta de cerca de 30% na disponibilidade de combustível – equivalente ao vazio deixado por Caracas – resultaria em uma redução de 27% do PIB cubano. O estudo também calcula um aumento de 60% nos preços dos alimentos, de 75% nos custos de transporte e uma queda de 30% no consumo das famílias.

Disputa diplomática e futuro incerto

O governo de Havana acusa os EUA de reforçar o bloqueio econômico após "décadas de fracasso de uma guerra econômica implacável", tentando "forçar Estados soberanos a aderirem ao embargo". Enquanto isso, cálculos independentes estimam que Cuba precise atualmente de cerca de 110 mil barris de petróleo por dia. A produção nacional na costa norte é de aproximadamente 40 mil barris diários, deixando um déficit de 70 mil barris que precisa ser importado – uma meta impossível diante da falta de divisas.

Com o festival cancelado e a receita do turismo e exportações em colapso, a crise humanitária em Cuba deve se aprofundar. Não há previsão de quando o fornecimento de energia será normalizado ou quando eventos internacionais, cruciais para a economia, poderão ser retomados.

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