A renomada terapeuta de casais Esther Perel, de 66 anos, está redefinindo o acesso à psicologia ao transformar décadas de experiência clínica em projetos públicos de escala global. Baseada em Nova York, a autora best-seller expandiu seu trabalho além do consultório tradicional através do podcast "Where Should We Begin?", jogos interativos e eventos ao vivo que atingem milhares de pessoas simultaneamente.
Perel, que mantém prática clínica reduzida de um ou dois dias semanais, explicou sua transição: "A terapia não é democrática; não é acessível a muitas pessoas que precisam". Sua abordagem inovadora começou com a inclusão de participantes externos nas sessões, evoluindo para formatos que "trazem os insights que acontecem no consultório para a praça pública".
Da clínica privada ao alcance global
Com 35 anos de experiência exclusiva em consultório, Perel publicou dois livros influentes - "Mating in Captivity" (2006) e "The State of Affairs" (2017) - antes de iniciar sua expansão digital. Seu podcast realiza sessões de terapia de casais anônimas ao vivo em diferentes países, oferecendo conteúdo gratuito sobre relacionamentos.
Durante a pandemia, Perel desenvolveu um jogo de cartas para conexão emocional e gravou cursos especializados sobre conflito e desejo. "Para cada livro que escrevi, as pessoas perguntavam: 'E então, o que eu faço?'", revelou a terapeuta sobre sua motivação para criar ferramentas práticas.
Rotina estruturada com foco em conexões
A profissional mantém disciplina matinal que inclui ioga quatro vezes por semana com grupo fixo de amigos - prática mantida ininterruptamente por seis anos, mesmo durante viagens via Zoom. "Sozinha, eu seria uma preguiçosa", admitiu Perel sobre a importância da responsabilidade compartilhada em seus compromissos.
Seu dia de trabalho começa apenas às 10h, dividido entre home office e o estúdio de podcasts Magnificent Noise. Perel segmenta atividades por modos específicos: "Tento criar um foco para o dia para não precisar ver pacientes e ir a reuniões quando estou no modo clínico".
Inovações na prática terapêutica
A terapeuta abandonou o consultório físico permanente após a pandemia, adotando formatos flexíveis que incluem sessões caminhando ao ar livre. "Quando você está em movimento, experimenta seus pensamentos de forma diferente", explicou sobre as sessões itinerantes que ocorrem às margens de rios ou em parques.
Esta abordagem inovadora cria "interseção entre beleza e calma, movimento e profundidade da reflexão". Perel destacou que a posição lado a lado, em vez de frente a frente, produz "uma interação completamente diferente" na dinâmica terapêutica.
Vida cultural ativa e projetos futuros
Fora do trabalho, Perel mantém intensa agenda cultural com idas ao teatro duas ou três vezes semanais - recentemente assistiu à produção da Broadway de "Édipo" duas vezes - e participa de clubes de livro e cinema há seis anos. Seu grupo recentemente discutiu "The Worst Person in the World" e leu autores como Roberto Bolaño e Rachel Cusk.
A terapeuta revelou estar desenvolvendo nova turnê e "alguns outros projetos que estou guardando para mim até que aconteçam". Mesmo com agenda internacional, Perel viaja sempre acompanhada de familiares ou amigos, misturando "prazer e propósito, trabalho e pessoal" em suas viagens.
Perel mantém filosofia relacional em todas as atividades: "Fundamentalmente, se quero fazer algo, instantaneamente penso: 'Com quem quero fazer isso?'". Esta abordagem permeia desde suas práticas matinais até projetos profissionais, refletindo sua crença central na conexão humana como ferramenta transformadora.