A estilista Kate Barton apresentou sua nova coleção no sábado (15) na New York Fashion Week (NYFW) com uma ativação tecnológica inédita. A designer se uniu à empresa de inteligência artificial Fiducia AI para criar um agente de IA multilíngue, construído com a plataforma IBM Watsonx na IBM Cloud, que ajuda os convidados a identificar peças da coleção e experimentá-las virtualmente.
Em entrevista ao TechCrunch antes do desfile, Barton explicou que a tecnologia está integrada à sua forma de pensar. "Hoje, a tecnologia é uma ferramenta para expandir o mundo ao redor das roupas, como elas são apresentadas e como as pessoas entram na história", disse a estilista, acrescentando que o objetivo era criar um senso de curiosidade.
Orquestração complexa por trás da experiência
Ganesh Harinath, fundador e CEO da Fiducia AI, detalhou que sua empresa usou o IBM watsonx, IBM Cloud e IBM Cloud Object Storage para realizar a apresentação. A ativação incluiu uma lente de Visual AI (construída com IBM watsonx) que detecta peças da nova coleção, responde a perguntas em qualquer idioma por voz e texto e oferece provadores virtuais foto-realistas em realidade aumentada.
"O trabalho mais difícil não foi o ajuste do modelo; foi a orquestração", afirmou Harinath ao TechCrunch. Esta não é a primeira incursão tecnológica de Barton: na temporada passada, ela já havia experimentado com modelos de IA, também em colaboração com a Fiducia AI.
Adoção discreta e futuro da IA na moda
Durante a semana de moda, houve especulações sobre quais marcas usariam tecnologia e inteligência artificial. Barton acredita que muitas marcas já utilizam IA, mas de forma discreta, principalmente em operações. "Talvez menos estejam usando publicamente por causa do potencial risco reputacional", ponderou.
Ela comparou o momento atual aos primórdios da internet, quando grandes nomes da moda hesitavam em criar sites. "Então isso se tornou inevitável, e eventualmente a questão mudou de 'devemos estar online?' para 'nossa presença online é boa?'", refletiu.
Harinath complementou que, embora muitas marcas estejam experimentando com IA, grande parte da implantação permanece superficial, como chatbots, geração de conteúdo e ferramentas de produtividade interna.
Ferramenta para ampliar, não substituir
Barton enxerga um futuro de melhor prototipagem, visualização, decisões de produção mais inteligentes e formas mais imersivas de experimentar a moda, sem substituir os humanos que "realmente a tornam digna de ser usada".
"Se a tecnologia for usada para apagar pessoas, não estou a fim", declarou a estilista, acrescentando que o público é mais esperto do que se imagina. "Eles podem distinguir a diferença entre invenção e evasão."
Dee Waddell, Diretor Global de Indústrias de Consumo, Viagens e Transporte da IBM Consulting, concordou com a visão. "Quando inspiração, inteligência de produto e engajamento são conectados em tempo real, a IA deixa de ser um recurso para se tornar um motor de crescimento que impulsiona vantagem competitiva mensurável", disse Waddell ao TechCrunch.
Perspectivas de normalização até 2028
Apesar das tensões, a IA está se tornando mais rotineira. Harinath prevê que a inteligência artificial na moda será normalizada até 2028, e até 2023 ele a vê sendo incorporada ao núcleo operacional do varejo.
"A maior parte desta tecnologia já existe – o diferencial agora é reunir os parceiros certos e construir equipes que possam operacionalizá-la de forma responsável", afirmou o executivo.
Barton encerrou com uma visão sobre o futuro: "O futuro mais emocionante para a moda não é a moda automatizada. É a moda que usa novas ferramentas para elevar o artesanato, aprofundar a narrativa e trazer mais pessoas para a experiência, sem achatar as pessoas que a fazem."