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O magnata do entretenimento Casey Wasserman informou nesta sexta-feira aos 4 mil funcionários do Wasserman Group que iniciou o processo de venda da empresa. A decisão ocorre após a divulgação de documentos que ligam o executivo à rede do criminoso sexual Jeffrey Epstein, causando um êxodo de clientes de alto perfil de sua agência de marketing esportivo e talentos.

Em um memorando interno, Wasserman afirmou que se tornou "uma distração" para os negócios. "É por isso que iniciei o processo de venda da empresa, um esforço que já está em andamento", escreveu o executivo, que é neto do lendário agente esportivo Lew Wasserman.

Documentos revelam voos no jato e e-mails com Maxwell

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Em janeiro, o Departamento de Justiça dos EUA começou a liberar mais de 3 milhões de páginas de documentos relacionados a Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais que morreu na prisão em 2019 aguardando julgamento por tráfico sexual. Os arquivos revelaram que Casey Wasserman voou no jato particular de Epstein com várias pessoas, incluindo o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton.

Os documentos também mostraram a troca de e-mails entre Wasserman e Ghislaine Maxwell, cúmplice de Epstein que cumpre pena de 20 anos de prisão por tráfico sexual de menores. Os e-mails datam de 2003, anos antes do início das investigações policiais contra Epstein e mais de uma década antes da prisão de Maxwell.

Backlash imediato e perda de clientes

Após as revelações, Wasserman emitiu um pedido de desculpas, mas a reação negativa de sua lista de talentos já havia começado. A cantora Chappell Roan, a medalhista olímpica de futebol Abby Wambach e outros artistas e atletas anunciaram publicamente a intenção de deixar sua agência devido à associação do executivo com Epstein.

No memorando, Wasserman defendeu que o contato foi breve e ocorreu muito antes da conduta criminosa de Epstein e Maxwell vir à tona. "Foi anos antes que sua conduta criminosa viesse à luz e, em sua totalidade, consistiu em uma viagem humanitária à África e um punhado de e-mails que lamento profundamente ter enviado", escreveu.

Contexto do escândalo Epstein

Os documentos de Epstein, que vêm sendo liberados gradualmente desde o início do ano, mencionam nomes de diversas personalidades proeminentes, como Bill Gates e o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick. A aparição nos arquivos não significa, necessariamente, envolvimento com os crimes, mas vários nomes enfrentaram consequências na opinião pública por associação.

O caso de Wasserman ilustra como as repercussões do escândalo Epstein continuam a afetar figuras públicas e os negócios com os quais estão envolvidas, mesmo mais de cinco anos após a morte do criminoso.

O Wasserman Group, fundado por Casey Wasserman em 2002, é uma das maiores agências de marketing esportivo e representação de talentos do mundo, com operações globais e um portfólio que já incluiu alguns dos maiores nomes do esporte e do entretenimento. A venda da empresa marca um capítulo significativo na história da indústria do entretenimento americano.