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A Deezer, uma das principais plataformas de streaming de música, anunciou nesta quinta-feira que disponibilizará sua ferramenta de detecção de músicas geradas por inteligência artificial para outras empresas do setor. A medida visa combater o aumento de fraudes e promover transparência na indústria musical, garantindo que artistas humanos continuem recebendo o reconhecimento e a remuneração adequados.

Segundo a empresa, 85% das reproduções de faixas totalmente geradas por IA são consideradas fraudulentas. O serviço recebe atualmente 60 mil faixas de IA por dia, totalizando 13,4 milhões de músicas detectadas. Em junho do ano passado, esse conteúdo representava 18% dos uploads diários, superando 20 mil faixas.

Precisão de 99,8% e combate à fraude

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A ferramenta da Deezer, introduzida no ano passado, identifica automaticamente músicas totalmente geradas por IA, com uma precisão de 99,8%, segundo um porta-voz da empresa. Além de remover essas faixas de recomendações algorítmicas e editoriais, a tecnologia as demonetiza e as exclui do pool de royalties. O objetivo é compensar de forma justa músicos e compositores.

O CEO da Deezer, Alexis Lanternier, afirmou que houve "grande interesse" pela ferramenta e que várias empresas já realizaram "testes bem-sucedidos". Uma delas é a Sacem, sociedade de gestão coletiva francesa que representa mais de 300 mil criadores e editoras musicais, incluindo nomes como David Guetta e DJ Snake.

Crescente preocupação com IA e fraudes

A iniciativa surge em um momento de crescente preocupação com o uso de material protegido por direitos autorais para treinar modelos de IA e com métodos para manipular sistemas de streaming. Em 2024, um músico da Carolina do Norte foi acusado pelo Departamento de Justiça dos EUA de criar músicas geradas por IA e usar bots para reproduzi-las bilhões de vezes, resultando em mais de US$ 10 milhões em royalties de streaming desviados.

Enquanto a Bandcamp baniu completamente músicas geradas por IA e o Spotify atualizou sua política para abordar o fenômeno, grandes gravadoras como Universal Music Group e Warner Music Group fecharam acordos com startups de IA, como Suno e Udio, para licenciar seus catálogos e garantir compensação aos artistas.

Contexto e próximos passos

A Deezer tem se posicionado de forma proativa no debate sobre IA na música. Em 2024, tornou-se a primeira plataforma de streaming a assinar a declaração global sobre treinamento de IA, juntando-se a artistas e criadores. A empresa não divulgou informações sobre preços para a nova ferramenta, afirmando que o custo varia conforme o tipo de acordo.

A expectativa é que a decisão da Deezer estabeleça um precedente para que outras plataformas adotem medidas semelhantes para defender artistas humanos e combater fraudes no setor de streaming musical.