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Deezer disponibiliza ferramenta de detecção de música gerada por IA para concorrentes

Deezer disponibiliza ferramenta de detecção de música gerada por IA para concorrentes

Plataforma de streaming oferece tecnologia que identifica e demonetiza faixas criadas por inteligência artificial para combater fraudes.

Redação
Redação
29 de janeiro de 2026

A Deezer, uma das principais plataformas de streaming de música, anunciou nesta quinta-feira que disponibilizará sua ferramenta de detecção de músicas geradas por inteligência artificial para outras empresas do setor. A medida visa combater o aumento de fraudes e promover transparência na indústria musical, garantindo que artistas humanos continuem recebendo o reconhecimento e a remuneração adequados.

Segundo a empresa, 85% das reproduções de faixas totalmente geradas por IA são consideradas fraudulentas. O serviço recebe atualmente 60 mil faixas de IA por dia, totalizando 13,4 milhões de músicas detectadas. Em junho do ano passado, esse conteúdo representava 18% dos uploads diários, superando 20 mil faixas.

Precisão de 99,8% e combate à fraude

A ferramenta da Deezer, introduzida no ano passado, identifica automaticamente músicas totalmente geradas por IA, com uma precisão de 99,8%, segundo um porta-voz da empresa. Além de remover essas faixas de recomendações algorítmicas e editoriais, a tecnologia as demonetiza e as exclui do pool de royalties. O objetivo é compensar de forma justa músicos e compositores.

O CEO da Deezer, Alexis Lanternier, afirmou que houve "grande interesse" pela ferramenta e que várias empresas já realizaram "testes bem-sucedidos". Uma delas é a Sacem, sociedade de gestão coletiva francesa que representa mais de 300 mil criadores e editoras musicais, incluindo nomes como David Guetta e DJ Snake.

Crescente preocupação com IA e fraudes

A iniciativa surge em um momento de crescente preocupação com o uso de material protegido por direitos autorais para treinar modelos de IA e com métodos para manipular sistemas de streaming. Em 2024, um músico da Carolina do Norte foi acusado pelo Departamento de Justiça dos EUA de criar músicas geradas por IA e usar bots para reproduzi-las bilhões de vezes, resultando em mais de US$ 10 milhões em royalties de streaming desviados.

Enquanto a Bandcamp baniu completamente músicas geradas por IA e o Spotify atualizou sua política para abordar o fenômeno, grandes gravadoras como Universal Music Group e Warner Music Group fecharam acordos com startups de IA, como Suno e Udio, para licenciar seus catálogos e garantir compensação aos artistas.

Contexto e próximos passos

A Deezer tem se posicionado de forma proativa no debate sobre IA na música. Em 2024, tornou-se a primeira plataforma de streaming a assinar a declaração global sobre treinamento de IA, juntando-se a artistas e criadores. A empresa não divulgou informações sobre preços para a nova ferramenta, afirmando que o custo varia conforme o tipo de acordo.

A expectativa é que a decisão da Deezer estabeleça um precedente para que outras plataformas adotem medidas semelhantes para defender artistas humanos e combater fraudes no setor de streaming musical.

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