Uma delegação bipartidária de onze congressistas dos Estados Unidos iniciou nesta sexta-feira (16) uma visita oficial a Copenhague, capital da Dinamarca. O objetivo da missão é demonstrar solidariedade ao país e à Groenlândia, território autônomo dinamarquês, após o presidente americano, Donald Trump, ter expressado interesse em assumir o controle da ilha ártica.
Paralelamente, uma missão militar europeia realiza o reconhecimento da Groenlândia, em mais uma expressão de apoio à soberania dinamarquesa. A agenda dos congressistas inclui reuniões com a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, e com o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens‑Frederik Nielsen.
Solidariedade bipartidária e rejeição às declarações de Trump
O senador democrata Dick Durbin, integrante da delegação, foi enfático ao discursar para a imprensa. "Estamos demonstrando solidariedade bipartidária com o povo deste país e com a Groenlândia. Eles têm sido nossos amigos e aliados há décadas", afirmou. "Queremos que saibam que apreciamos isso profundamente. E as declarações feitas pelo presidente não refletem o sentimento do povo americano."
Na quarta-feira (14), um encontro em Washington entre autoridades americanas e dinamarquesas terminou com um "desacordo fundamental" sobre o futuro da Groenlândia. Trump defende que os EUA precisam da ilha, rica em minerais, e que a Dinamarca não garante sua segurança contra ameaças da Rússia e da China.
Resposta europeia e reforço militar no Ártico
Em resposta às declarações americanas, países europeus anunciaram o envio de contingentes militares para a Groenlândia. Reino Unido, Finlândia, França, Alemanha, Holanda, Noruega e Suécia participarão de futuros exercícios no Ártico. "Uma primeira equipe de militares franceses já está no local e será reforçada nos próximos dias", declarou o presidente francês, Emmanuel Macron, na quinta-feira (15).
A ministra francesa das Forças Armadas, Alice Rufo, afirmou que a ação tem como objetivo mandar um sinal claro de determinação em defender a soberania europeia. O Ministério da Defesa da Alemanha acrescentou que o objetivo é analisar como os parceiros da Otan podem manter o Ártico seguro.
Reações locais e posicionamento oficial
Em Nuuk, capital da Groenlândia, moradores receberam positivamente a visita dos congressistas americanos. Um representante sindical de 39 anos disse à agência AFP que "o Congresso dos EUA jamais aprovaria uma ação militar na Groenlândia". A presença militar dinamarquesa já era mais perceptível na cidade após o anúncio do reforço da defesa.
O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, foi taxativo: uma aquisição da Groenlândia pelos EUA está "fora de questão". Já a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, minimizou o impacto das tropas europeias, dizendo que elas não influenciariam a meta de Trump.
Contexto histórico e protestos marcados
A Groenlândia é um território autônomo dinamarquês e está coberta pelo guarda-chuva de segurança da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O interesse americano pela ilha remonta ao século 19. Grandes manifestações estão previstas para o sábado (17) em toda a Dinamarca e Groenlândia, em protesto contra as ambições territoriais de Trump.
Além do senador Durbin, a delegação norte-americana inclui os senadores democratas Chris Coons, Jeanne Shaheen e Peter Welch, os republicanos Lisa Murkowski e Thom Tillis, e os deputados democratas Madeleine Dean, Steny Hoyer, Sara Jacobs, Sarah McBride e Gregory Meeks.