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A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, solicitou formalmente uma presença permanente da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na região do Ártico, com foco na Groenlândia. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (22), após uma reunião de cúpula da União Europeia em Bruxelas, e ocorre em meio à escalada de tensões gerada pela intenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de adquirir o território semiautônomo dinamarquês.

"Precisamos de uma presença permanente da Otan na região do Ártico, incluindo a Groenlândia", afirmou Frederiksen. A premiê foi enfática ao declarar que a soberania sobre a ilha não é negociável, embora Copenhague esteja aberta a discutir a cooperação em segurança com Washington. "Está claro para todos que somos um Estado soberano e não podemos negociar sobre isso", disse.

Resposta às declarações de Trump e estrutura de um novo acordo

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Na quarta-feira (21), durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, Donald Trump assegurou que os EUA "não usará a força" para assumir o controle da Groenlândia. Ele afirmou ter "formado a estrutura de um futuro acordo" com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, sobre o território, justificando o interesse americano com razões de segurança nacional e global.

O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, esclareceu na sexta-feira (23) que não há um plano formal detalhado, mas sim uma "estrutura para um futuro acordo". Ele afirmou que as negociações, que devem começar em breve, se concentrarão no tema "segurança, segurança e segurança", com o objetivo de substituir as "ideias drásticas" sobre a posse da ilha.

Detalhes do possível pacto e preocupações geopolíticas

Relatos da imprensa internacional sugerem que o acordo em discussão revisaria um tratado de 1951, que rege a presença militar americana na Groenlândia. As propostas incluiriam a construção do sistema de defesa antimíssil americano "Domo de Ouro" no território e concederiam aos EUA direitos soberanos sobre partes da ilha.

Segundo o jornal The New York Times, o pacto também impediria que países potencialmente hostis, como Rússia e China, explorassem os vastos recursos minerais da Groenlândia. A rede CNN informou, com base em fontes anônimas, que o novo acordo proibiria investimentos russos e chineses no território e estabeleceria um papel ampliado para a Otan.

Posição firme da Groenlândia e apoio europeu

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, reuniu-se com Frederiksen em Nuuk, capital do território, na sexta-feira (23). Na véspera, Nielsen havia definido a soberania como uma "linha vermelha". "Nossa integridade, nossas fronteiras e o direito internacional são linhas vermelhas que ninguém tem permissão para cruzar", sublinhou.

Nielsen afirmou que seu governo está preparado para discutir, "como parceiros e de maneira respeitosa", questões como um reforço da presença militar americana e os recursos naturais, e também se manifestou a favor de uma missão permanente da Otan na Groenlândia.

Do lado europeu, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, admitiu que a UE investiu "muito pouco no Ártico e na segurança do Ártico". Ela garantiu que, no próximo orçamento da UE a partir de 2028, a Comissão planeja dobrar o apoio financeiro ao território e em breve apresentará um "pacote abrangente de investimentos" na Groenlândia.