Disney acusa ByteDance de usar seus personagens como 'clip art' público em IA

Disney acusa ByteDance de usar seus personagens como 'clip art' público em IA

Empresa enviou carta de cessar e desistir após vídeos gerados por Seedance 2.0 com personagens da Marvel e Star Wars viralizarem.

Redação
Redação

15 de fevereiro de 2026

A Disney acusou a empresa chinesa ByteDance, dona do TikTok, de tratar seus personagens mais valiosos como "clip art" de domínio público. A alegação foi feita em uma carta de cessar e desistir enviada na sexta-feira, após a ferramenta de geração de vídeo por IA Seedance 2.0, da ByteDance, ser usada para criar conteúdos não autorizados com personagens da Marvel e Star Wars.

Um vídeo falso que simulava uma luta entre Wolverine e Thanos, por exemplo, acumulou mais de 142 mil visualizações em 48 horas na plataforma X. A ferramenta, lançada na semana passada, gerou um burburinho nas redes sociais, com usuários criando conteúdos hiper-realistas envolvendo propriedades intelectuais (PI) protegidas.

Estratégia de "perdão, não permissão"

Na carta, a Disney afirma que a ByteDance forneceu ao Seedance 2.0 "uma biblioteca pirateada dos personagens com direitos autorais da Disney de Star Wars, Marvel e outras franquias, como se a cobiçada propriedade intelectual da Disney fosse um clip art de domínio público gratuito". A empresa alega que a ByteDance está "sequestrando os personagens da Disney reproduzindo, distribuindo e criando obras derivadas com esses personagens".

Um porta-voz da Disney confirmou o envio da carta à Business Insider. A ação reflete a conhecida postura agressiva da gigante do entretenimento na proteção de sua propriedade intelectual, que vale bilhões de dólares.

Histórico de disputas com empresas de IA

O Seedance é apenas a mais recente empresa de IA que a Disney afirma estar copiando seu conteúdo. Em junho do ano passado, a Disney e a NBCUniversal processaram a Midjourney, geradora de imagens por IA, comparando sua tecnologia a uma "máquina de venda automática virtual" que cria cópias não autorizadas.

Em setembro, a Disney enviou uma carta de cessar e desistir à Character.AI por infração de direitos autorais. Em dezembro, foi a vez da Google receber uma notificação, acusada de roubar a PI da Disney em "escala massiva" através do gerador de imagens Nano Banana Pro. Ambas as empresas removeram os personagens da Disney de suas plataformas posteriormente.

Abordagem diferenciada com a OpenAI

A estratégia da Disney, no entanto, não é uniforme. A empresa adotou uma postura muito menos adversarial com a OpenAI, líder do setor. Quando a OpenAI lançou o Sora 2, sua plataforma de texto para vídeo, em setembro, e usuários começaram a fazer upload de conteúdo com personagens da Disney, a resposta foi uma negociação.

Em dezembro, as duas empresas anunciaram um acordo de licenciamento de três anos que dá aos usuários do Sora acesso, com algumas restrições, a 200 personagens da Disney. Como parte do acordo, a Disney também investiria US$ 1 bilhão na OpenAI.

Visão da Disney sobre o futuro da IA

Embora não tenha compartilhado planos para desenvolver seu próprio modelo de IA ou gerador de vídeo, o CEO da Disney, Bob Iger, disse que a empresa vê a tecnologia não como uma ameaça, mas como um novo caminho para se conectar com o público.

Durante uma teleconferência de resultados no final do ano passado, Iger afirmou que a IA "fornecerá aos usuários do Disney+ uma experiência muito mais engajada, incluindo a capacidade de eles criarem conteúdo gerado por usuários e consumirem conteúdo gerado por usuários, principalmente de curta duração, de outros".

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