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A Disney acusou a empresa chinesa ByteDance, dona do TikTok, de tratar seus personagens mais valiosos como "clip art" de domínio público. A alegação foi feita em uma carta de cessar e desistir enviada na sexta-feira, após a ferramenta de geração de vídeo por IA Seedance 2.0, da ByteDance, ser usada para criar conteúdos não autorizados com personagens da Marvel e Star Wars.

Um vídeo falso que simulava uma luta entre Wolverine e Thanos, por exemplo, acumulou mais de 142 mil visualizações em 48 horas na plataforma X. A ferramenta, lançada na semana passada, gerou um burburinho nas redes sociais, com usuários criando conteúdos hiper-realistas envolvendo propriedades intelectuais (PI) protegidas.

Estratégia de "perdão, não permissão"

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Na carta, a Disney afirma que a ByteDance forneceu ao Seedance 2.0 "uma biblioteca pirateada dos personagens com direitos autorais da Disney de Star Wars, Marvel e outras franquias, como se a cobiçada propriedade intelectual da Disney fosse um clip art de domínio público gratuito". A empresa alega que a ByteDance está "sequestrando os personagens da Disney reproduzindo, distribuindo e criando obras derivadas com esses personagens".

Um porta-voz da Disney confirmou o envio da carta à Business Insider. A ação reflete a conhecida postura agressiva da gigante do entretenimento na proteção de sua propriedade intelectual, que vale bilhões de dólares.

Histórico de disputas com empresas de IA

O Seedance é apenas a mais recente empresa de IA que a Disney afirma estar copiando seu conteúdo. Em junho do ano passado, a Disney e a NBCUniversal processaram a Midjourney, geradora de imagens por IA, comparando sua tecnologia a uma "máquina de venda automática virtual" que cria cópias não autorizadas.

Em setembro, a Disney enviou uma carta de cessar e desistir à Character.AI por infração de direitos autorais. Em dezembro, foi a vez da Google receber uma notificação, acusada de roubar a PI da Disney em "escala massiva" através do gerador de imagens Nano Banana Pro. Ambas as empresas removeram os personagens da Disney de suas plataformas posteriormente.

Abordagem diferenciada com a OpenAI

A estratégia da Disney, no entanto, não é uniforme. A empresa adotou uma postura muito menos adversarial com a OpenAI, líder do setor. Quando a OpenAI lançou o Sora 2, sua plataforma de texto para vídeo, em setembro, e usuários começaram a fazer upload de conteúdo com personagens da Disney, a resposta foi uma negociação.

Em dezembro, as duas empresas anunciaram um acordo de licenciamento de três anos que dá aos usuários do Sora acesso, com algumas restrições, a 200 personagens da Disney. Como parte do acordo, a Disney também investiria US$ 1 bilhão na OpenAI.

Visão da Disney sobre o futuro da IA

Embora não tenha compartilhado planos para desenvolver seu próprio modelo de IA ou gerador de vídeo, o CEO da Disney, Bob Iger, disse que a empresa vê a tecnologia não como uma ameaça, mas como um novo caminho para se conectar com o público.

Durante uma teleconferência de resultados no final do ano passado, Iger afirmou que a IA "fornecerá aos usuários do Disney+ uma experiência muito mais engajada, incluindo a capacidade de eles criarem conteúdo gerado por usuários e consumirem conteúdo gerado por usuários, principalmente de curta duração, de outros".