O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, comentou publicamente pela primeira vez o vídeo publicado por Donald Trump que retratava ele e a ex-primeira-dama Michelle Obama com imagens de macacos. Em entrevista, Obama afirmou que "não parece haver nenhuma vergonha" entre pessoas que antes defendiam respeito ao cargo público.
O material, com pouco mais de um minuto, circulava no site Patriot News Outlet e trazia alegações de fraude na eleição de 2020. Nos segundos finais, apareciam as imagens de conotação racista. A publicação na rede Truth Social foi apagada horas depois, após forte reação de parlamentares democratas e organizações de direitos civis.
Reação e contexto da declaração
Ao ser questionado sobre o episódio durante a entrevista, Obama declarou que "é verdade que isso chama atenção, é verdade que é uma distração". No entanto, ele destacou que, ao viajar pelo país, encontra cidadãos que ainda acreditam em "decência, cortesia e gentileza". Segundo ele, "há uma espécie de espetáculo de palhaços acontecendo nas redes sociais e na televisão".
Sem mencionar diretamente Trump, o ex-presidente avaliou que "esse padrão foi perdido", referindo-se ao decoro e respeito pelo cargo. Ele acrescentou que a maioria da população estadunidense considera esse tipo de comportamento "profundamente preocupante".
Outras críticas e visão sobre protestos
Na mesma entrevista, Obama também comentou ações de agentes federais de imigração em Minneapolis e Saint Paul. Ele classificou como "profundamente preocupante e perigoso" o que chamou de "comportamento descontrolado de agentes do governo federal", citando o uso de gás lacrimogêneo contra multidões.
Por outro lado, o ex-presidente destacou positivamente a reação de moradores, que organizaram protestos e ações comunitárias. "Isso deveria nos dar esperança", afirmou. Ele relatou que cidadãos disseram: "Esta não é a América em que acreditamos e vamos reagir com a verdade, com câmeras e com protestos pacíficos".
Mobilização popular como caminho
Barack Obama defendeu que mudanças políticas dependem da mobilização popular. "No fim das contas, a resposta vai vir do povo", declarou, enfatizando sua crença na ação coletiva como força motriz para transformações na sociedade.
A declaração sobre o vídeo racista ocorre em um contexto de escalada do tom político nos Estados Unidos, marcado por polarização e uso intenso de redes sociais por figuras públicas.