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A chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, anunciou neste domingo (15) que trabalha em uma nova estratégia de segurança europeia com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O anúncio foi feito durante a 62ª Conferência de Segurança de Munique, que reuniu líderes políticos e militares.

A estratégia visa abordar todas as dimensões da segurança em um cenário geopolítico considerado mais hostil, com foco em ameaças híbridas e atos de sabotagem contra infraestrutura europeia, atribuídos à Rússia. A defesa foi apontada como prioridade máxima pelo bloco.

Resposta ao imperialismo russo e ampliação da UE

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Kallas afirmou que a ampliação da União Europeia é vista como "o antídoto ao imperialismo russo". Nove países do Leste Europeu, incluindo a Ucrânia, são candidatos a ingressar no bloco. No entanto, a chefe de política externa admitiu que os Estados-membros não estão prontos para oferecer uma data concreta para a adesão ucraniana, destacando que há "muito trabalho a ser feito".

"Começa na Ucrânia, mas sabemos que o objetivo final da Rússia não é o Donbass", disse Kallas, referindo-se à guerra em território ucraniano. "As exigências maximalistas da Rússia não podem ser respondidas com uma resposta minimalista", completou.

Ativação da cláusula de defesa mútua

Diante do clima de insegurança, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já havia defendido durante a conferência que é hora de "dar vida à cláusula de defesa mútua da Europa". Ela argumentou que a defesa mútua não é opcional, mas uma obrigação prevista no Artigo 42 (7) do Tratado da UE.

O artigo estabelece que, em caso de ataque a um Estado-membro, os demais têm a "obrigação de prestar ajuda e assistência por todos os meios ao seu alcance". Este mecanismo só foi ativado uma vez na história, pela França após os ataques terroristas de 2015 em Paris.

Discurso de união e resposta aos EUA

Kallas exaltou a identidade e as conquistas do bloco europeu em um painel intitulado "Europeus, unam-se!". Sua fala foi uma resposta direta a críticas recentes vindas dos Estados Unidos. "Contrariamente ao que algumas pessoas dizem, a Europa 'woke' e decadente não está enfrentando um apagamento civilizacional", afirmou, antes de reconhecer que a UE "pode ser lenta demais" e "precisa de reformas".

No sábado (14), o secretário de Estado americano, Marco Rubio, havia pintado um cenário sombrio para o continente, ecoando a Estratégia de Segurança Nacional da Casa Branca que alerta para um possível "apagamento civilizacional" da Europa em duas décadas, devido a migração, mudanças culturais e queda na natalidade.

Posicionamento americano e futuro da parceria

Embora tenha adotado um tom mais calmo, Rubio deixou claro que o governo Trump mantém suas posições. Ele condenou a "imigração de massa" e a "perda de controle das cadeias de suprimento" para a China, apelando a uma "fé cristã compartilhada" entre Europa e EUA.

"Nós cometemos estes erros juntos, e juntos nós devemos ao nosso povo encarar estes fatos e seguir adiante", disse o secretário de Estado. "Nós estamos preparados, se necessário, para fazermos isso sozinhos. Mas é nossa preferência fazermos isso juntos."

Os governos europeus têm ponderado, simultaneamente, formas de reduzir sua dependência dos Estados Unidos, visto como um parceiro cada vez mais instável. A nova estratégia de segurança e o debate sobre a defesa mútua refletem esse movimento de busca por maior autonomia estratégica.