Sarai Saez Rogers, de 36 anos, e sua melhor amiga, Claire, compraram juntas uma casa no verão de 2024, criando um novo modelo de apoio mútuo após ambas passarem por divórcios. A decisão foi tomada para superar as dificuldades financeiras de serem mães solteiras e a falta de independência ao morar com os pais.
As duas se conheceram há mais de uma década no Novo México, onde seus então maridos serviam às forças armadas. A amizade se fortaleceu quando, durante um período de seis meses em que o marido de Claire foi enviado para o exterior e Sarai já estava divorciada, elas praticamente viveram juntas, compartilhando refeições, cuidados com os filhos e apoio emocional.
Da ideia à compra do duplex histórico
Após se mudarem para cidades diferentes para morar com seus pais – Sarai em Nova York e Claire em Wisconsin –, a ideia de comprar uma casa em conjunto surgiu durante conversas por telefone. "Tínhamos confiança, respeito e gostávamos uma da outra", relatou Sarai. Ela possuía uma renda estável e bom crédito, enquanto Claire tinha economias, formando uma parceria financeira viável.
Durante uma visita de Claire a Nova York no verão de 2024, as duas decidiram, por impulso, visitar imóveis à venda. Foi quando encontraram um duplex amarelo construído no final do século 18, originalmente uma casa de fazenda, localizado em uma rua tranquila com um grande quintal. A propriedade, com dois andares, cinco quartos e cozinha e banheiro em cada pavimento, foi considerada a configuração perfeita para as duas famílias.
Desafios convencionais e respostas práticas
A nova configuração familiar levanta perguntas comuns, que Sarai e Claire abordam com pragmatismo. Questionadas sobre o que aconteceria se uma delas desenvolvesse um relacionamento romântico sério, Sarai explica que ambas já têm namorados, mas que isso não impacta a decisão de morar juntas. "Não temos que nos mudar com parceiros por necessidade, mas apenas se escolhermos", afirmou.
Elas já discutiram a possibilidade de futuros parceiros se mudarem para a casa, o que implicaria dividir o espaço de forma mais separada. Sobre conflitos, Sarai vê as discordâncias como saudáveis e inevitáveis em qualquer relação profunda. "Quando discutimos ou nos irritamos, damos um tempo e depois voltamos a conversar. Isso nos aproximou, em vez de nos afastar", detalhou.
Reavaliando prioridades e encontrando felicidade
A experiência fez Sarai repensar a hierarquia tradicional dos relacionamentos. "Por anos, o amor romântico foi o epítome de um relacionamento, o amor mais ideal para se construir uma vida. Desde que moro com a Claire, percebi que estava errada", confessou. Ela descreve a amizade como uma das relações mais profundas que já teve.
A decisão de desafiar a convenção e construir uma vida ao lado da melhor amiga trouxe uma felicidade inédita. "Com ela, com minha amiga, sinto que não estou apenas sobrevivendo, mas prosperando", concluiu Sarai, enfatizando que nunca mais tomará a amizade como garantida, mesmo estando em um relacionamento amoroso.