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A The Walt Disney Company anunciou nesta terça-feira (4) que Josh D'Amaro, atual presidente da divisão de Experiências (Parques e Produtos), será o novo Chief Executive Officer (CEO) da empresa. Ele assume o cargo no dia 18 de março, sucedendo Bob Iger, que se aposentará pela segunda vez. A decisão foi tomada por votação unânime do conselho de administração na segunda-feira (3).

D'Amaro, de 54 anos, é um veterano com 28 anos de carreira na Disney e comanda a lucrativa divisão de Experiências desde 2020. Bob Iger, que liderou a empresa em dois períodos distintos, permanecerá no conselho como consultor sênior. A transição ocorre em um momento crucial, com a Disney buscando estabilizar sua liderança após a conturbada passagem do ex-CEO Bob Chapek.

Parques sustentam empresa e definem sucessão

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O desempenho de D'Amaro à frente dos parques temáticos, resorts e produtos de consumo foi decisivo para sua escolha. Sob seu comando, a divisão de Experiências se tornou o principal motor financeiro do conglomerado, respondendo por mais de 70% do lucro operacional no último trimestre fiscal. O negócio atingiu lucros recordes e se recuperou fortemente dos impactos da pandemia.

“Josh demonstrou uma forte visão para o futuro da empresa e uma compreensão profunda do que torna a Disney única em um mercado em constante mudança”, afirmou em memorando aos funcionários James Gorman, presidente do conselho da Disney e ex-CEO do Morgan Stanley, que liderou o processo de sucessão.

Desafios vão além dos parques temáticos

Apesar do sucesso nos parques, D'Amaro herdará desafios complexos em outras frentes. O negócio de streaming (Direct-to-Consumer), que inclui Disney+ e Hulu, apresenta resultados mistos: embora tenha se tornado lucrativo e ganhado assinantes, sua participação na audiência de TV nos EUA permanece estagnada há anos, segundo dados da Nielsen.

O novo CEO também precisará conduzir a transição da ESPN para o universo do streaming e implementar iniciativas para impulsionar o engajamento, como a integração de conteúdo em formato curto e inteligência artificial na plataforma Disney+, fruto de uma parceria com a OpenAI.

Eco de transição anterior gera cautela

A nomeação traz à tona a memória da anterior e problemática sucessão de Iger. Em 2020, Bob Chapek, que também vinha da área de parques, assumiu o cargo, mas teve um mandato curto e turbulento, marcado por desentendimentos públicos com Iger. O episódio levou a Disney a realizar um processo de seleção mais minucioso desta vez.

Alguns fãs e analistas expressaram cautela. “Não vamos esquecer: Bob Chapek já esteve na posição de D'Amaro antes de ser nomeado CEO, e veja o que aconteceu”, disse Lucas Lozano, fã da Disney baseado no Texas. A superfã Shae Noble afirmou estar “nervosa com mudanças de liderança depois do que aconteceu antes”.

Pressão por resultados e aceitação no mercado

D'Amaro terá que conquistar a confiança de Wall Street, onde as ações da Disney têm desempenho morno – o valor caiu 1% no último ano e perdeu um terço em relação ao pico de cinco anos atrás. Seu desafio será replicar o sucesso dos parques em outras áreas e traçar uma estratégia de longo prazo para a era pós-Iger.

Em comunicado, Bob Iger classificou D'Amaro como um “líder excepcional e a pessoa certa para se tornar nosso próximo CEO”. Dana Walden, que supervisiona o portfólio de entretenimento e TV e era considerada outra forte candidata, assumirá como presidente e diretora criativa da empresa na mesma data da posse de D'Amaro.