Empresário é preso após 23 anos por assassinato da esposa em São Paulo
Reconhecido por sistema de monitoramento facial, acusado cumpriu pena inicial de oito anos após julgamento em 2018.
Sérgio Nahas, empresário de 61 anos, foi preso na última semana na Praia do Forte, no litoral norte da Bahia, mais de 23 anos após assassinar a esposa, Fernanda Orfali, em São Paulo. A prisão ocorreu após ele ser reconhecido por um sistema de monitoramento por vídeo com reconhecimento facial. No momento da detenção, a polícia encontrou no condomínio de luxo onde ele estava hospedado pinos de cocaína, três celulares, um carro, cartões de crédito e medicamentos de uso contínuo.
No dia 19 de janeiro, o empresário foi submetido a uma audiência de custódia e deve cumprir a pena, inicialmente de oito anos e dois meses, em regime fechado. O crime ocorreu em setembro de 2002, quando Nahas assassinou Fernanda Orfali, então com 28 anos, a tiros na casa do casal, no bairro de Higienópolis, na capital paulista.
Julgamento tardio e recurso negado
À época do crime, Sérgio Nahas alegou que se tratava de um suicídio. Contudo, as investigações concluíram tratar-se de um homicídio doloso. O julgamento do caso no Tribunal do Júri só ocorreu em 2018, resultando na condenação do empresário à pena de pouco mais de oito anos de prisão.
Anteriormente, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) já havia negado um recurso em habeas corpus apresentado pela defesa de Nahas. A prisão, portanto, representa a efetivação de uma sentença judicial já transitada em julgado.
Detalhes do crime e contexto
O assassinato de Fernanda Orfali chocou a alta sociedade paulistana no início dos anos 2000. O casal residia em um apartamento em Higienópolis, região nobre de São Paulo. A defesa inicial de suicídio foi desmontada pelas perícias técnicas, que apontaram inconsistências na versão apresentada por Nahas.
A demora de 16 anos entre o crime e o julgamento em primeira instância ilustra a morosidade do sistema judicial brasileiro em casos complexos. A prisão só foi possível graças à tecnologia de reconhecimento facial, que identificou o foragido em um dos principais polos turísticos do Nordeste.
Próximos passos e cumprimento da pena
Com a audiência de custódia realizada, Sérgio Nahas foi encaminhado ao sistema prisional para iniciar o cumprimento da pena em regime fechado. A defesa ainda pode recorrer de decisões processuais, mas a condenação pelo Tribunal do Júri já está consolidada.
A polícia continua investigando a vida do réu durante os anos em que esteve foragido. A descoberta de drogas e múltiplos celulares no local da prisão pode gerar novas investigações e possíveis ações penais separadas.
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