Pequenos empresários em Portland, Maine, estão enfrentando boicotes e queda no movimento após se posicionarem publicamente contra o aumento das operações de Imigração e Controle Alfandegário (ICE) no estado. A decisão de exibir cartazes com os dizeres "No ICE" (Contra o ICE) nas vitrines gerou uma onda de retaliação online e preocupações com o impacto econômico imediato.
O governo federal anunciou recentemente o reforço da fiscalização de imigração na região, o que levou à circulação de listas online identificando estabelecimentos que aderiram ao protesto. Em resposta, dezenas de avaliações negativas foram direcionadas a esses negócios em sites especializados, em uma tentativa coordenada de prejudicar sua reputação.
Decisão difícil entre princípios e sobrevivência
Andy Gerry, co-proprietário do restaurante The Highroller Lobster Co., afirmou que os cartazes "estão colocados e não serão retirados", apesar da reação negativa. Ele e seus sócios orientaram os mais de 50 funcionários sobre como lidar com ligações hostis e contestaram as avaliações falsas junto às plataformas. "Vi prints de comentários incentivando o 'bombardeio de avaliações' contra o restaurante", relatou Gerry ao Business Insider.
A pressão levou os empresários a um dilema sobre participar ou não de uma paralisação nacional marcada para uma sexta-feira. Alguns defendem fechar as portas em solidariedade, enquanto outros preferem permanecer abertos e doar os lucros para grupos de assistência a imigrantes. Gerry, que mudou de ideia várias vezes, planeja atualmente fechar o restaurante e doar os rendimentos do fim de semana para instituições de caridade.
Impacto econômico tangível e gestos simbólicos
Para Eden Millecchia, proprietária da loja Flowers & Candy, o apoio público tem um custo real. As vendas durante o feriado de Martin Luther King caíram 91% na comparação com o ano anterior, uma queda que ela atribui ao clima de medo gerado pela presença de agentes federais. "Eles acabaram com o meu feriado de três dias e acho que isso vai afastar as pessoas", disse ela.
Millecchia, que se descreve como "a mulher branca que pode gritar", participou de um treinamento online da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) para entender os limites de atuação dos agentes sem mandado. Ela reconhece que o cartaz na vitrine é um "gesto vazio", mas planeja fechar a loja na sexta-feira em apoio à greve.
Estratégias de apoio e proteção ao funcionários
Outros estabelecimentos adotaram medidas práticas de apoio. A loja Arcana Maine disponibilizou gratuitamente cartões de visita com um guia sobre direitos constitucionais, traduzidos para seis idiomas, incluindo espanhol, árabe e somali. Um funcionário chamado Nico estimou que o movimento de clientes caiu pelo menos pela metade para um janeiro típico.
Já a proprietária de um restaurante com equipe inteiramente hispânica, que pediu anonimato para proteger seus funcionários, decidiu fechar o negócio por uma semana e pagar os salários. Ela afirmou que, embora sua equipe seja composta por imigrantes legais, todos se sentem ameaçados. O cartaz "No ICE" na porta, segundo ela, serve para transmitir segurança, e não para fazer uma declaração política. "Tenho a responsabilidade de manter as pessoas seguras. Também tenho uma responsabilidade econômica", ponderou.
Um porta-voz do ICE disse ao Business Insider que a agência não comenta operações de imigração. A Patrulha de Fronteira dos EUA não respondeu a um pedido de comentário. O debate coloca donos de pequenos negócios em uma encruzilhada entre defender suas convicções e enfrentar as consequências financeiras de um posicionamento público em um tema polarizante.