As principais empresas de empréstimos estudantis privados dos Estados Unidos estão se preparando para um ano de expansão, impulsionadas pela reforma no sistema federal de financiamento que começa a vigorar em julho. As mudanças, promovidas pela administração do presidente Donald Trump, incluem novos planos de pagamento e limites para empréstimos federais em cursos de pós-graduação, criando um vácuo que o setor privado pretende ocupar.
Durante conferência de resultados na semana passada, Jonathan Witter, CEO da Sallie Mae, uma das maiores credoras do país, afirmou que a empresa está "empolgada com a oportunidade criada pelas recentes reformas nos empréstimos estudantis federais". A expectativa da companhia é que as alterações gerem cerca de US$ 5 bilhões em novas origens de empréstimos por ano.
Fim de programa federal abre espaço
A legislação sancionada por Trump elimina o programa Grad PLUS, que permitia a estudantes de pós-graduação tomar empréstimos federais de até o custo total de seus programas. Além disso, impõe novos tetos de endividamento: US$ 20.500 para estudantes de mestrado e US$ 50.000 para cursos profissionais, como medicina e direito.
David Yowan, CEO da Navient, outra gigante do setor, expressou sentimento similar durante a apresentação de resultados da empresa neste mês. Ele classificou as mudanças no Grad PLUS como uma "oportunidade" para a companhia se expandir, afirmando que "há muito espaço para crescimento" este ano.
Antecipação do setor e críticas
As credoras privadas antecipam essas mudanças há meses. Em uma conferência de resultados em agosto de 2025, Yowan já havia dito que a eliminação do Grad PLUS representava "uma expansão substancial e significativa das oportunidades que temos com estudantes de pós-graduação". Anthony Noto, CEO da SoFi, também comentou na época que as reformas poderiam levar a "mais oportunidades para empréstimos durante os estudos e refinanciamento de dívidas estudantis".
Enquanto as credoras privadas anteveem um impulso para seus negócios, críticos e mutuários expressam preocupação. Sara Partridge, diretora associada de políticas de ensino superior do centro de estudos Center for American Progress, alertou que os empréstimos privados podem ter taxas de juros mais altas do que os federais, deixando os devedores com uma dívida mais cara.
"Empréstimos estudantis privados muitas vezes exigem um fiador, então alguns estudantes podem não se qualificar, e eles podem não ter opções para financiar totalmente e frequentar a pós-graduação. Portanto, há a possibilidade de que, para alguns estudantes, isso seja uma barreira para acessar a pós-graduação", afirmou Partridge.
Objetivo oficial e contexto futuro
A administração Trump defende que as reformas têm como objetivo conter o endividamento excessivo e aumentar a responsabilidade no sistema federal. Em comunicado em janeiro, o subsecretário de Educação, Nicholas Kent, disse: "Estamos construindo um futuro onde o ensino superior funciona para todos, onde os estudantes são capacitados para ter sucesso, onde os contribuintes podem confiar que seus investimentos serão usados com sabedoria e onde as instituições são responsabilizadas por entregar resultados".
O impacto completo das mudanças só será sentido após sua implementação em julho, mas a movimentação do mercado de crédito privado indica uma reconfiguração significativa no financiamento do ensino superior nos Estados Unidos.