Publicidade

O primeiro trimestre de 2026 está na metade e uma nova onda de demissões em massa está em curso em empresas globais. Mais de 100 companhias, incluindo gigantes como Amazon, Nike, Meta e Citi, notificaram oficialmente cortes de milhares de postos de trabalho, segundo dados do WARN Tracker. Entre as razões citadas pelas empresas estão a busca por eficiência operacional, a reestruturação estratégica e, em alguns casos, os ganhos de produtividade impulsionados pela inteligência artificial (IA).

Os cortes seguem três anos de reduções significativas de força de trabalho em setores como tecnologia, mídia, finanças e varejo. Um levantamento do Fórum Econômico Mundial do ano passado apontou que 41% das empresas em todo o mundo esperam reduzir seus quadros nos próximos cinco anos devido à ascensão da IA. A pesquisa também projetou que empregos em big data, fintech e IA devem dobrar até 2030.

Amazon anuncia segunda grande rodada de cortes

Publicidade

A Amazon informou em janeiro que está eliminando cerca de 16.000 cargos corporativos em todo o mundo. Esta é sua segunda rodada de demissões em massa desde outubro, quando a gigante do varejo e tecnologia dispensou 14.000 funcionários. Em memorando interno, Beth Galetti, vice-presidente sênior de experiência das pessoas e tecnologia, descreveu a medida como parte de esforços mais amplos para reduzir a burocracia dentro da companhia.

IA é citada como motivo para otimização

A Angi, site de listagem de contratantes antes conhecido como Angie's List, anunciou em janeiro o corte de aproximadamente 350 empregos. A empresa afirmou que as demissões visam "reduzir despesas operacionais e otimizar a estrutura organizacional" e foram feitas "à luz das melhorias de eficiência impulsionadas pela IA". Em registro na SEC, a Angi estimou que os cortes gerarão uma economia anual de US$ 70 milhões a US$ 80 milhões.

Outra empresa que atribuiu cortes à IA foi a Tailwind, ferramenta popular para a web. O CEO Adam Wathan escreveu em um comentário no GitHub que 75% da equipe de engenharia foi demitida em janeiro "por causa do impacto brutal que a IA teve em nosso negócio".

Cortes se espalham por diversos setores

No setor financeiro, o Citi confirmou que continuará a reduzir seu quadro de funcionários em 2026 como parte de um plano para cortar 10% de sua força de trabalho global, o que equivale a cerca de 20.000 empregos. A medida, detalhada no relatório de resultados de janeiro de 2024, pode economizar até US$ 2,5 bilhões para o banco.

No varejo, a Nike informou em 26 de janeiro que planeja demitir 775 funcionários em centros de distribuição no Tennessee e no Mississippi para "simplificar" suas operações. Já a Target confirmou em fevereiro que cortará 100 cargos em escritórios distritais e 400 posições na cadeia de suprimentos, realocando recursos para melhorar a experiência nas lojas.

A Meta prepara demissões dentro de sua divisão Reality Labs, responsável pelas ambições de metaverso de Mark Zuckerberg, segundo fontes familiarizadas com o assunto. O The New York Times informou que 10% a 15% dos 15.000 funcionários da divisão devem ser afetados, com equipes de headsets de realidade virtual sendo desproporcionalmente impactadas.

Outras empresas com planos de redução

A lista de empresas com cortes anunciados ou em andamento é extensa. A Heineken planeja eliminar de 5.000 a 6.000 cargos nos próximos dois anos. A Kenvue, fabricante do Tylenol, vai cortar 3,5% de seu quadro global de aproximadamente 22.000 funcionários. A Pinterest anunciou uma reestruturação global que afeta menos de 15% de sua força de trabalho para avançar em sua "estratégia orientada para IA".

A UPS pretende reduzir sua força de trabalho operacional em 30.000 pessoas em 2026, por meio de atrito e um programa de demissão voluntária. A Workday está cortando cerca de 400 empregos, aproximadamente 2% de seu quadro, para redirecionar recursos para áreas prioritárias, como a IA.

Empresas como Expedia, Lululemon, Saks e T-Mobile também confirmaram demissões em 2026, em movimentos que variam de dezenas a centenas de postos, conforme notificações WARN e comunicados oficiais.

As demissões ocorrem em um cenário em que a inteligência artificial, políticas públicas e condições econômicas mais amplas estão provocando mudanças profundas no panorama empresarial global. A tendência de cortes, que se intensificou a partir de 2023, deve continuar sendo monitorada ao longo do ano através de anúncios corporativos e notificações legais obrigatórias.