Os Estados Unidos oficializaram sua saída da Organização Mundial da Saúde (OMS), pondo fim a uma parceria que durava desde a criação da entidade, em 1948. O anúncio foi feito em comunicado publicado pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) na quinta-feira (22).
O governo norte-americano justificou a decisão apontando falhas da OMS na gestão da pandemia de Covid-19 e alegando falta de independência política da agência internacional de saúde, vinculada à ONU.
Rompimento formalizado por ordem executiva
A retirada foi formalizada pelo presidente Donald Trump, que assinou uma ordem executiva no dia de seu retorno à Casa Branca, em 20 de janeiro de 2025. O documento continha o aviso formal de saída dos EUA da agência.
"O financiamento e o corpo de pessoal dos Estados Unidos destinados a iniciativas da OMS foram encerrados”, afirmaram o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., no comunicado oficial.
Impacto financeiro e dívida pendente
Os Estados Unidos eram historicamente o maior financiador individual da OMS, responsáveis por cerca de 18% do orçamento total da entidade. Segundo dados do governo norte-americano, o país contribuía obrigatoriamente com US$ 111 milhões anuais como membro, além de "contribuições voluntárias" que chegavam a uma média de US$ 570 milhões por ano.
A OMS alega que os Estados Unidos ainda devem cerca de US$ 260 milhões relativos ao último biênio, valores que deveriam ser pagos antes da saída definitiva. O governo Trump, no entanto, afirmou que não fará mais qualquer aporte financeiro.
Novo modelo e incertezas futuras
No comunicado, a administração Trump reforçou que pretende manter ações de saúde global por meio de acordos bilaterais e de agências nacionais, como o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), sem a mediação da OMS.
A própria OMS já reconheceu que a saída americana cria um cenário de incertezas financeiras e operacionais para a organização. A ajuda da agência é fundamental para países com poucos recursos e sistemas de saúde frágeis, além de ser crucial no combate a doenças negligenciadas, como Doença de Chagas, Dengue e Leishmaniose.
Símbolo do rompimento e próximos passos
Imediatamente após a publicação do comunicado, a OMS retirou a bandeira dos Estados Unidos de sua fachada em Genebra, fato destacado pelas autoridades americanas, que desejam o símbolo de volta. A organização agora enfrenta o desafio de reestruturar seu financiamento e operações sem seu principal contribuinte histórico, enquanto os EUA buscam um novo caminho unilateral para a cooperação em saúde global.