Um estudo publicado na revista científica npj Space Exploration revelou que Marte abrigou um oceano massivo há aproximadamente 3 bilhões de anos. A descoberta, liderada por pesquisadores da Universidade de Berna, na Suíça, sugere que o planeta, hoje árido e vermelho, já foi um mundo azul semelhante à Terra, com um corpo de água estável que cobriu grande parte de seu hemisfério norte.
A pesquisa se concentrou na análise de formações geológicas no sistema de cânions Valles Marineris, o maior do Sistema Solar. Os cientistas identificaram depósitos sedimentares conhecidos como depósitos de frente de escarpa, que são formados quando rios deságuam em um corpo de água parada, como um lago ou oceano.
Evidências no maior cânion do Sistema Solar
Os investigadores analisaram uma seção específica do Valles Marineris chamada Coprates Chasma. Eles descobriram que todos os depósitos estudados estavam na mesma elevação, um forte indicador de um nível de água estável e uniforme em toda a extensão do cânion.
Com base na localização dessas formações, a equipe calculou que a água teria até um quilômetro de profundidade em algumas áreas. Como o cânion está em uma altitude mais alta do que as planícies do norte de Marte, a pesquisa conclui que a água não se limitou ao cânion, mas inundou as terras baixas, formando um oceano que cobriu todo o hemisfério norte do planeta.
Implicações para a busca por vida
De acordo com o autor principal do estudo, Ignatius Argadestya, da Universidade de Berna, este seria o maior e mais profundo oceano já identificado em Marte. "Isso efetivamente faz de Marte um 'planeta azul', muito parecido com a Terra hoje", afirmou Argadestya.
A existência de um corpo de água estável e duradouro aumenta dramaticamente as chances de condições habitáveis no passado marciano. A descoberta reacende a questão central que motiva a exploração do planeta: se houve, ou até mesmo se ainda há, vida em Marte.
Apesar das evidências convincentes, os pesquisadores enfatizam que são necessários mais estudos e verificações para confirmar a extensão e a natureza deste antigo oceano. A comunidade científica continua a analisar dados de missões como a do rover Perseverance da NASA, que recentemente encontrou indícios de tempestades tropicais no passado do planeta, corroborando a ideia de um clima mais úmido.