O Comando Central dos Estados Unidos emitiu um alerta formal ao Irã neste sábado (31) sobre os planos do Corpo da Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) de realizar exercícios navais com munição real no Estreito de Ormuz. A rota marítima é considerada vital para o fornecimento global de petróleo.
Os exercícios, com duração prevista de dois dias, coincidem com a chegada de navios da Marinha dos EUA à região, incluindo o superporta-aviões USS Abraham Lincoln. Em comunicado, o Comando Central listou ações consideradas inaceitáveis, como sobrevoos de aeronaves armadas em baixa altitude sobre ativos militares americanos e aproximações em alta velocidade de lanchas em rota de colisão.
Declarações de Trump e resposta iraniana
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu o direito do Irã de operar em águas internacionais, mas fez um alerta direto. “Qualquer movimento inseguro e não profissional próximo às forças dos EUA” pode acarretar “risco de escalada e desestabilização”, afirmou ele.
Na sexta-feira, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, sinalizou que Teerã não descarta retomar o diálogo diplomático. Ele condicionou eventuais negociações a bases consideradas equilibradas pelo governo iraniano, que não envolvam limitações às capacidades defensivas do país.
Contexto de tensões regionais
As advertências militares ocorrem em um momento de alta tensão bilateral, agravada pela repressão do regime iraniano a protestos nacionais. Segundo estimativas da organização de direitos humanos Hrana, mais de 6,2 mil pessoas podem ter morrido no contexto dos protestos no Irã.
Em publicação na rede social Truth Social na quarta-feira (28/01), Trump pressionou o Irã a retomar as negociações sobre seu programa nuclear. “Espero que o Irã venha à mesa de negociações rapidamente e alcance um acordo justo e equilibrado — SEM ARMAS NUCLEARES”, escreveu, acrescentando que “uma enorme armada está a caminho do Irã”.
Movimentações diplomáticas paralelas
Enquanto os alertas militares são trocados, há esforços diplomáticos em curso. De acordo com a NBC News, o governo do Egito informou que seu ministro das Relações Exteriores manteve contatos telefônicos com representantes do Irã, da Turquia, de Omã, dos Estados Unidos e do Catar.
O Cairo descreveu as conversas como parte de iniciativas voltadas à redução das tensões e à busca de saídas políticas para a crise na região, que permanece um dos pontos mais sensíveis da geopolítica global.