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EUA retiram pessoal de bases no Oriente Médio após alerta de ataque do Irã

EUA retiram pessoal de bases no Oriente Médio após alerta de ataque do Irã

Movimentação preventiva ocorre em meio a tensões regionais e à maior onda de protestos no país desde 1979.

Redação
Redação

14 de janeiro de 2026 ·
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Os Estados Unidos iniciaram a retirada de parte do seu pessoal de bases militares no Oriente Médio nesta quarta-feira (14), em uma ação preventiva. A decisão foi tomada após autoridades iranianas alertarem países vizinhos de que instalações americanas seriam alvo em caso de um ataque de Washington ao Irã.

O movimento ocorre em um momento de aumento significativo das tensões entre os dois países, com o governo iraniano enfrentando simultaneamente a mais grave onda de protestos internos desde a Revolução Islâmica de 1979. Um funcionário americano, sob condição de anonimato, confirmou que a retirada envolve instalações consideradas sensíveis.

Bases afetadas e reações

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Entre as bases afetadas está a de Al Udeid, no Catar, a maior instalação militar dos Estados Unidos na região e sede avançada do Comando Central americano. Autoridades do Catar confirmaram à agência Reuters que a redução de pessoal está sendo realizada "em resposta às atuais tensões regionais".

Diplomatas ouvidos pela agência afirmaram que parte do efetivo recebeu ordem para deixar a base ainda nesta quarta-feira, mas não há indicação de uma evacuação em larga escala. Os Estados Unidos mantêm aproximadamente 40 mil militares distribuídos pela região, incluindo presença no Bahrein, sede da Quinta Frota da Marinha americana.

O alerta iraniano e o colapso diplomático

Segundo um alto funcionário iraniano, Teerã informou aos governos da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Turquia que bases americanas em seus territórios seriam atacadas caso os Estados Unidos bombardeassem o Irã. O mesmo oficial afirmou que os contatos diretos entre o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, e o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, foram suspensos.

A suspensão dos canais diplomáticos eleva o risco de uma escalada sem meios diretos de comunicação entre as partes. Analistas avaliam que a retirada parcial de pessoal indica que Washington considera real a possibilidade de confronto indireto, com ataques a instalações militares fora do território iraniano.

Pano de fundo: a crise interna no Irã

A crise diplomática tem como pano de fundo a repressão aos protestos contra o regime iraniano, iniciados há cerca de duas semanas devido à deterioração das condições econômicas. As estimativas de mortos divergem drasticamente entre as fontes.

Autoridades do Irã afirmam que mais de 2.000 pessoas morreram desde o início das manifestações. Já a organização de direitos humanos HRANA, com sede nos Estados Unidos, estima 2.403 mortos entre manifestantes e 147 ligados ao governo, além de mais de 18.000 prisões.

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, Abdolrahim Mousavi, disse que o país "nunca havia enfrentado esse volume de destruição", atribuindo os distúrbios a inimigos estrangeiros. Governos ocidentais classificam a repressão como a mais violenta da história recente do país.

Próximos passos e avaliações

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem afirmado publicamente que adotará "medidas muito fortes" caso o Irã execute manifestantes, e chegou a incentivar os protestos, dizendo que "a ajuda está a caminho", sem detalhar ações concretas.

Enquanto isso, autoridades ocidentais avaliam que, apesar da instabilidade sem precedentes, o governo iraniano não está à beira do colapso e mantém controle firme sobre seu aparato de segurança. A retirada de pessoal americano segue como medida de precaução diante do cenário volátil.

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