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Andrej Karpathy, uma das principais figuras no campo da inteligência artificial e ex-diretor de IA da Tesla, publicou extensas notas sobre uma "mudança de fase" na engenharia de software. Em publicação na rede social X nesta segunda-feira, ele detalhou como a capacidade dos agentes de IA para codificação cruzou um "limiar de coerência" por volta de dezembro de 2025, alterando radicalmente o fluxo de trabalho dos programadores.

Karpathy, que também foi membro fundador da OpenAI e cunhou o termo "vibe coding", descreveu uma inversão completa em seus próprios hábitos. Ele passou de uma divisão de 80% de codificação manual e 20% com agentes em novembro para 80% de programação por agentes e apenas 20% de edições manuais em dezembro. "Estou basicamente programando em inglês agora, dizendo um pouco constrangido à LLM que código escrever... em palavras", afirmou.

Atrofia de habilidades e impacto no setor

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O especialista expressou preocupação com o efeito colateral dessa dependência. "Já notei que estou lentamente começando a atrofiar minha capacidade de escrever código manualmente", escreveu Karpathy. Ele admitiu que a mudança para o código escrito por IA "fere o ego", mas é poderosa demais para ser ignorada.

Engenheiros de empresas líderes em IA reagiram ao post. Ethan He, engenheiro da xAI e ex-funcionário da Nvidia, comentou que um "engenheiro 10x pode ser um exército de um homem só" com essas ferramentas. Charles Weill, também da xAI, destacou que fundadores de startups agora podem se "dividir" com agentes de codificação.

Uso integral em equipes de ponta

Boris Cherny, funcionário da Anthropic e criador do Claude Code, revelou que sua equipe, composta por "generalistas" e engenheiros altamente produtivos, já opera em um modelo próximo ao descrito por Karpathy. "Praticamente 100% do nosso código é escrito pelo Claude Code", afirmou Cherny. "Para mim, pessoalmente, tem sido 100% há mais de dois meses, nem faço pequenas edições manualmente."

Cherny também reconheceu problemas de qualidade no código gerado por IA, como tendência a complicar soluções e deixar "código morto" no projeto. Sua solução proposta é fazer com que a própria IA revise o código que escreveu.

Ferramentas que impulsionaram a mudança

Karpathy citou melhorias significativas em modelos como o Claude Code da Anthropic e o Codex da OpenAI como catalisadores dessa transformação. O Claude Opus 4.5, modelo lançado no final de novembro e muito elogiado por engenheiros, é apontado como um marco nesse avanço técnico.

O fenmeno do "vibe coding", impulsionado pela assistência de IA, foi eleito a palavra do ano de 2024 pelo Dicionário Collins, evidenciando a penetração cultural e profissional dessa nova forma de trabalho.