Um ex-funcionário do governo federal dos Estados Unidos que aceitou um pacote de demissão voluntária em fevereiro de 2025 conseguiu recolocação profissional após expandir sua busca por empregos para além de Nova York. O profissional, que trabalhou analisando dados de mercado de trabalho no Bureau of Labor Statistics, aceitou uma posição como analista de remuneração em uma empresa de tecnologia na Virgínia do Norte, região metropolitana de Washington, D.C.
A decisão de ampliar o escopo geográfico da procura foi tomada após meses de poucas respostas no competitivo mercado nova-iorquino e diante de sinais de arrefecimento nas contratações. A mudança ocorreu cerca de um ano após ele deixar o cargo público, período em que experimentou a escrita freelance e morou temporariamente no México e no Rio de Janeiro.
Mudança de estratégia diante do mercado
Inicialmente, o profissional concentrou suas buscas em Nova York, cidade onde residia e que considerava repleta de oportunidades. No entanto, a percepção mudou após ler reportagens sobre a estagnação na criação de empregos na cidade e enfrentar processos seletivos frustrados, incluindo um caso em que completou uma tarefa técnica para uma empresa de tecnologia e não obteve retorno.
"O que se mostrou muito mais difícil foi a incerteza por trás de tudo. Eu não conseguia dizer quais sinais importavam", relatou ele, referindo-se às dúvidas sobre o impacto de tarifas, inteligência artificial e uma possível recessão no mercado de trabalho.
Expansão nacional da busca
A primeira ampliação foi modesta, incluindo cidades como Filadélfia e Chicago. Com a melhora nas respostas, a busca se tornou nacional, com destaque para o Sun Belt – região sul dos EUA que inclui Phoenix, Houston e Nashville. "O momento estava mudando. A geografia não era mais um fator limitante", afirmou.
Washington, D.C., inicialmente excluída da lista por ser um polo de funcionários públicos, foi reconsiderada ao se perceber a evolução do seu mercado, agora com forte presença de bancos e empresas de tecnologia, especialmente na Virgínia do Norte.
Mobilidade geográfica como chave
O ex-analista governamental destacou que a mobilidade geográfica foi central para o desfecho positivo de sua busca, mesmo com sua experiência prévia. Ele citou o exemplo dos pais, que se mudaram da Nigéria para os EUA e depois entre diferentes cidades americanas em busca de oportunidades.
Dados mostram que as pessoas se mudam com menos frequência atualmente, mesmo com oportunidades mais distribuídas regionalmente. "Historicamente, ir para onde está a oportunidade tem sido uma das maneiras mais confiáveis de criar um novo caminho", concluiu.
Nova vida em D.C.
Atualmente morando em Washington, D.C., e fazendo o trajeto para a Virgínia do Norte, ele avalia que o ajuste no custo de vida foi mais administrável em comparação com Nova York. Os salários na região são apenas modestamente menores, enquanto os aluguéis são notavelmente mais baixos e o mercado imobiliário mais favorável ao locatário.
Com a transição profissional concluída, seus planos para 2026 são se estabelecer no novo emprego e na vida na capital americana. A experiência o levou a refletir sobre como a disposição para se mudar pode ser uma alavanca importante, especialmente para trabalhadores mais jovens em início de carreira.