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Adam, um jornalista e redator freelancer britânico, decidiu encerrar quase sete anos de viagens em tempo integral para estabelecer uma base fixa. A mudança ocorre após um período de reflexão sobre os desafios práticos e emocionais de um estilo de vida nômade, que ele adotou de forma gradual a partir de 2019.

O profissional, que sempre evitou o termo "nômade digital" por considerá-lo constrangedor, construiu uma carreira que permitia trabalhar remotamente de locais como Sri Lanka, Guatemala e diversos países europeus. No entanto, após um tempo, a rotina de constantes mudanças começou a mostrar suas desvantagens.

Os desafios por trás do glamour

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Em um relato honesto, Adam descreve que manter relacionamentos se tornou difícil com a vida em movimento, e a solidão era uma companheira frequente, mesmo em cenários paradisíacos. A logística de empacotar e desfazer malas a cada poucos dias tornou-se tediosa, assim como a busca incessante por acomodações de curto prazo com Wi-Fi confiável e espaço para trabalho.

"Infelizmente, depois de um tempo, até os pores do sol mais deslumbrantes objetivamente se tornam comuns", escreveu ele, admitindo que a empolgação de desembarcar em um novo destino gradualmente desapareceu.

O momento da decisão

A decisão de se estabelecer foi inspirada por um conselho recebido anos antes, nas Ilhas Granadinas. Um capitão com décadas de experiência em viagens lhe disse: "Você pode procurar e procurar a vida toda, mas às vezes precisa saber quando você chegou". Adam afirma que agora compreende que não existe um "lugar perfeito" para viver.

O critério para a nova base não era um emprego tradicional das 9h às 17h ou uma "casa para sempre", mas um local onde pudesse explorar hobbies de forma consistente, como cerâmica, escrita, ioga e natação no mar, e cultivar uma comunidade de amigos sem despedidas frequentes.

A escolha surpreendente

Contrariando expectativas de um destino tropical, Adam escolheu se estabelecer na costa nordeste da Inglaterra, perto de Newcastle, a apenas uma hora de distância de onde cresceu. Ele descreve a região como um trecho varrido pelo vento e pela chuva, com mares brutalmente frios.

"Não é a ilha tropical que eu uma vez imaginei, mas parece fundamentador, como se eu tivesse realmente chegado", relatou. Apesar de apenas alguns meses na nova rotina, ele não sente desejo de viajar no momento, mas acredita que, quando voltar, será com menos frequência e por períodos mais curtos.

Novos horizontes a partir de uma base

Estabelecer-se trouxe a oportunidade de ser mais criativo, desacelerar e estabelecer rotinas. Adam destaca a redescoberta de pequenos prazeres, como encontros regulares com amigos, partidas de golfe com o pai e a capacidade de se dedicar a projetos de longo prazo, antes inviáveis na vida entre hotéis.

"E é bom saber que não preciso fazer o check-out tão cedo", finaliza, encerrando um capítulo de quase uma década de descobertas e inaugurando outro, ancorado em um lugar que agora chama de lar.