Três ex-técnicos de enfermagem foram presos temporariamente pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) sob suspeita de matar três pacientes no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF). Os crimes ocorreram nos dias 19 de novembro e 1º de dezembro de 2025.
As mortes foram causadas pela injeção direta na veia de um medicamento de uso comum em UTIs, mas de aplicação letal dessa forma. Em um dos casos, os investigadores também encontraram indícios da aplicação de desinfetante. A motivação para os atos ainda é apurada pela Operação Anúbis.
Sequência das prisões e apreensões
Dois dos suspeitos foram detidos em 11 de janeiro, e a terceira pessoa investigada foi presa em 15 de janeiro de 2026. Na última ação, a polícia apreendeu dispositivos eletrônicos que podem conter evidências. Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos em endereços nas cidades de Taguatinga, Brazlândia (DF) e Águas Lindas (GO).
Em nota ao Portal iG, o Hospital Anchieta informou que identificou "circunstâncias atípicas" nas mortes, demitiu sumariamente os funcionários envolvidos e foi a instituição que apresentou a queixa à polícia após concluir uma investigação interna. "Em menos de 20 dias, a investigação célere e rigorosa [do comitê] resultou na identificação de evidências envolvendo os ex-técnicos de enfermagem", afirmou o hospital.
Posicionamento oficial do hospital
Em comunicado extenso, a instituição, que completa 30 anos de atuação em Brasília, detalhou as providências. "Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise", diz a nota.
O hospital afirmou que, com base nas evidências da investigação interna, foi ele próprio quem requereu a instauração de inquérito policial e a adoção de medidas cautelares, incluindo a prisão dos envolvidos, que já haviam sido desligados. A instituição também informou ter entrado em contato com as famílias das vítimas para prestar esclarecimentos.
Andamento do caso e próximos passos
O hospital ressaltou que o caso tramita em segredo de justiça, o que, segundo a nota, impossibilita a divulgação de informações adicionais ou a identificação das partes envolvidas. A medida judicial é vista pela instituição como "imprescindível à preservação da apuração".
O Hospital Anchieta se declarou "também vítima da ação destes ex-funcionários" e afirmou estar colaborando de forma "irrestrita e incondicional" com as autoridades. A Polícia Civil do DF segue com as investigações para apurar a autoria e a motivação dos crimes.