A tendência de consumir quantidades elevadas de proteína, conhecida como "proteinmaxxing", pode estar atrapalhando a perda de peso, segundo a médica Dra. Meghan Garcia-Webb, especialista em medicina concierge voltada para o controle de peso de executivos. A profissional alerta que o foco excessivo no nutriente, muitas vezes proveniente de alimentos ultraprocessados, desvia a atenção de uma alimentação balanceada e rica em nutrientes.
Garcia-Webb critica a indústria de alimentos por adicionar proteína a produtos como chips, bolos e barras, oferecendo pouco valor nutricional real. Ela aponta um erro comum no cálculo da necessidade diária, que leva as pessoas a consumirem mais proteína do que necessitam, resultando em calorias extras que dificultam o emagrecimento a longo prazo.
Como calcular a necessidade real de proteína
Para a perda de peso, a médica recomenda uma ingestão diária entre 1 e 1,5 gramas de proteína por quilograma de peso corporal magro, o que equivale a aproximadamente 0,5 a 0,7 gramas por libra. O cálculo deve ser feito com base no peso meta, e não no peso atual, para evitar superestimativa.
Como exemplo, uma pessoa de 200 libras (cerca de 90 kg) com objetivo de chegar a 150 libras (cerca de 68 kg) teria uma meta de 90 gramas de proteína por dia. Se usar o peso atual no cálculo, a meta saltaria para 120 gramas, resultando em mais de 100 calorias extras diárias.
O risco de ignorar os sinais do corpo
"As pessoas sentem que precisam ingerir toda aquela proteína ou algo terrível vai acontecer", disse Garcia-Webb ao Business Insider. "Elas estão focando nesse único ingrediente 'mágico'. Cadê os vegetais?".
A médica defende que, em vez de se prender a números rígidos, as pessoas deveriam aprender a ouvir os sinais de saciedade do próprio corpo. Ela argumenta que a dependência de métricas externas substitui a percepção interna de fome e satisfação.
A importância do contexto e dos hábitos consistentes
Embora a proteína ajude no controle do apetite, o contexto é crucial. Uma barra de proteína processada com sabor de sobremesa pode não saciar tanto quanto uma refeição caseira. Garcia-Webb recomenda priorizar alimentos ricos em fibras, como feijões, grãos integrais e vegetais, que promovem saciedade com menos calorias.
Outros hábitos fundamentais para o controle do peso incluem o gerenciamento do estresse, que pode desencadear desejos por comida, e a garantia de uma boa noite de sono. Pesquisas indicam que dormir bem ajuda a reduzir a ingestão calórica.
Para a médica, a chave para a perda e manutenção do peso está na consistência de hábitos saudáveis, e não em soluções rápidas. "Tudo o que fazemos para melhorar nossa saúde, sejam mudanças no estilo de vida ou medicação, deve ser feito com a perspectiva de que você fará isso para sempre", afirmou. "A única pílula mágica real é a consistência".