Lauren Crosby Medlicott, uma norte-americana de 37 anos, enfrenta há 15 anos os desafios emocionais de viver separada por um oceano de sua mãe. A autora e jornalista, que se mudou dos Estados Unidos para o País de Gales aos 22 anos após conhecer um homem galês, descreve a despedida recente da mãe, de 63 anos, após uma visita de três semanas como um momento de profunda dor e reflexão.
A distância de mais de 6.400 km e o fuso horário de cinco horas transformam encontros presenciais em eventos raros e logísticamente complexos, que ocorrem, na melhor das hipóteses, uma vez por ano. A pandemia e uma gravidez de alto risco impediram visitas por quase cinco anos, período em que a mãe só conseguiu viajar duas vezes.
Custo emocalto e financeiro da separação
As visitas representam um custo financeiro significativo para Medlicott, que precisa arcar com passagens aéreas para si e seus três filhos. Para a mãe, a viagem envolve um longo voo transatlântico seguido de um trajeto de carro, um esforço físico considerável para uma pessoa com problemas nas costas.
"O mais difícil de tudo sobre viver em um país diferente, separada por um oceano e um fuso horário de cinco horas, é que quando tenho um dia ruim, além do meu marido, ela é a primeira pessoa com quem quero falar. E nem sempre posso fazer isso", relata a autora em artigo publicado no *Business Insider*.
Lacuna nas fases mais desafiadoras
A ausência foi sentida com mais intensidade durante os primeiros anos de adaptação no Reino Unido e, posteriormente, na maternidade. Medlicott descreve um "profundo anseio" pela mãe após o nascimento de cada um de seus três filhos, com intervalos de dois anos entre eles.
"Não alguém para lavar roupa, limpar a louça ou cuidar do bebê para mim à noite. Eu poderia fazer tudo isso — eu era e ainda sou ferozmente independente. Eu queria que ela apenas se sentasse comigo", escreve. Ela acredita que a mulher que a gerou e deu à luz deveria estar presente quando ela fez o mesmo, especialmente nos meses seguintes ao parto, marcados por fadiga severa e risco de depressão pós-natal.
Tecnologia como ponte, mas não substituto
Atualmente, mãe e filha mantêm contato diário via WhatsApp e conversam por telefone algumas vezes por semana, em um padrão que Medlicott considera suficiente para manter uma "belíssima conexão". No entanto, a comunicação digital não substitui a presença física.
"Ver uma à outra não é fácil. Não é aparecer para o jantar de domingo depois da igreja. Não é passar rapidamente para celebrar um feriado ou aniversário", pondera.
Resiliência como legado
Apesar da dor, Medlicott reconhece que a experiência a tornou mais forte e resiliente. Após as despedidas, ela pratica o que a mãe sempre ensinou pelo exemplo: contar suas bênçãos, reconhecer que a situação a fortalece e seguir em frente.
"Ela mesma uma mulher forte, criou uma mulher forte", conclui a autora, refletindo sobre o legado de independência que sua mãe, que criou ela e sua irmã sozinha, lhe transmitiu e que agora a sustenta em sua vida adulta no exterior.