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A General Fusion, empresa canadense de energia de fusão nuclear fundada em 2002, anunciou planos para se tornar uma companhia pública por meio de uma fusão reversa com a empresa de aquisição de propósito específico (SPAC) Spring Valley III. O acordo, combinado com investimentos adicionais de investidores institucionais, deve injetar até US$ 335 milhões na startup e valorizar a empresa combinada em cerca de US$ 1 bilhão.

A movimentação representa uma reviravolta significativa para a companhia, que no ano passado enfrentou dificuldades para captar recursos, demitiu pelo menos 25% de seus funcionários e precisou de um investimento emergencial de US$ 22 milhões para se manter operante. Antes da fusão, a General Fusion já havia levantado mais de US$ 440 milhões em rodadas de financiamento, de acordo com dados do PitchBook.

Foco no reator de demonstração LM26

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Os recursos da operação no mercado serão destinados principalmente para concluir o reator de demonstração da empresa, chamado Lawson Machine 26 (LM26). O dispositivo utiliza uma abordagem chamada "confinamento inercial", que funciona comprimindo um pellet de combustível até que seus átomos se fundam, liberando energia no processo.

Diferente do National Ignition Facility (NIF) dos EUA, que usa lasers para essa compressão, o LM26 da General Fusion emprega pistões acionados a vapor que impulsionam uma parede de metal líquido de lítio para dentro, esmagando o combustível. O lítio líquido então circula por um trocador de calor para gerar vapor e girar uma turbina.

Cronograma e desafios tecnológicos

A empresa havia declarado, antes de revelar seus problemas financeiros, que o LM26 atingiria o "equilíbrio científico" em 2026 – marco em que uma reação de fusão gera mais energia do que a consumida para iniciá-la. A General Fusion não respondeu a um pedido para confirmar se esse cronograma permanece inalterado.

O equilíbrio científico é uma etapa fundamental, mas distinta e mais fácil de alcançar do que o "equilíbrio comercial", onde as reações liberam energia suficiente para exportar eletricidade para a rede de forma economicamente viável.

Contexto de mercado e demanda energética

A General Fusion não é a primeira empresa de fusão a ir ao mercado. Em dezembro, a TAE Technologies anunciou fusão com a Trump Media & Technology Group em negócio que valorizou a empresa combinada em mais de US$ 6 bilhões.

Em seu anúncio, a General Fusion citou explicitamente a crescente demanda por energia dos data centers – que, segundo a BloombergNEF, deve consumir quase 300% mais energia até 2035 –, além de tendências mais amplas de eletrificação, como veículos elétricos e aquecimento elétrico, que podem aumentar a demanda global de eletricidade em até 50% no mesmo período.

Histórico da SPAC e próximos passos

A Spring Valley, a SPAC envolvida na transação, tem histórico em fusões reversas com empresas do setor de energia. Ela já levou a pública a NuScale Power, empresa de reatores nucleares modulares pequenos, cujo preço das ações caiu mais de 50% em relação ao pico do ano passado. A firma também está finalizando uma fusão com a Eagle Energy Metals, uma mineradora de urânio.

Se o acordo for concluído conforme o planejado, a General Fusion terá os recursos necessários para avançar em seu projeto de demonstração em um momento de pressão global por fontes de energia limpas e de base contínua, posicionando-se em um mercado potencialmente vasto, mas dependente do sucesso de sua tecnologia ainda não comprovada em escala.